18 de junho de 2012

Digestão

Purê de batata. Sempre tem purê de batata pra comer, com o que, é um detalhe irrelevante, o fato é que purê sempre tem.

E enquanto mastigo o purê com seiláoque fico tentando ter uma noção de quantas horas faz que estou acordado. Trinta e cinco, pelo menos, dessas, umas dez eu basicamente dediquei a tentar dormir. As outras, a tentar viver.

Mas o fato é que está todo mundo se afundando mesmo. As pessoas falam de amor, mas não fazem a menor idéia do que ele realmente seja, não que eu saiba, mas porra, né? É sempre o mesmo bando de feras, bestas juvenis que estão, basicamente, atrás de fugir o máximo que conseguirem desse mundo e fazer sexo. E depois dizem que toda essa maluquice é amor. Experiências artísticas transcendentais, elevações lisérgicas da alma. Fica difícil.

Muita gente aí com a alma tão negra quanto os tais opressores capitalistas, os tão temíveis e desprezíveis soldados do sistema, está levantando bandeira, pintando a cara, gritando gritos de ordem. Enquanto isso, o mundo continua afundando e, desculpe, só vai parar quando chegar mesmo ao fim. Ainda tem muita bosta por aí pra gente se afogar.

Fico pensando quando enlouquecermos de verdade. Não serão nossos ídolos que vão nos dar a mão, no fim, estaremos todos jogados aos cantos para morrermos sozinhos em nome de uma suposta “liberdade” que, bem, é triste admitir, mas é a mais pura verdade, nem existe.

É foda quando você ao redor ao redor e, no final das contas, são pessoas bonitas e legais, interessantes, inteligentes, pedantes às vezes, mas acontece. Todas tão desajustadas quanto você, fingindo felicidade, autocontrole, independência. No fundo, se pudessem, se enfiariam debaixo de uma mesa e passariam pelo menos uma semana chorando, sem parar.

Poxa, mas estavam todas tão felizes e se amando tanto alguns minutos atrás!

E você olha pra todo mundo, estão atrás de um corpo pra foder ou sentindo as vibrações metafísicas da musica, dançando feito um chipanzé, gritando feito um papagaio, rolando no chão feito um idiota. Liberdade de expressão. Desconstrução. Ninguém ali julga ninguém. Não agora.

Um monte de sorrisos bestas congelados nas fotos por aí, fotos, claro, artísticas, nem que seja de um cachorro cagando. É um cu arreganhado e uma merda carregados de subjetividade, coisa linda. Deve ter um sorriso por lá também, positividade, amor!

É, pior que deve mesmo haver mais amor nalgum vira lata cagando por aí do que nessa porra de mundinho.

Termino o purê, abro a geladeira, tem um vinho perdido. Bebo como se nunca tivesse tomado um vinho vagabundo do gargalo antes. Meu estomago embrulha um pouco, acho que vou vomitar. No banheiro, nada.

No mundo, no meu mundo, nos facebooks da vida, as pessoas continuam se amando e querendo fazer a diferença, fazer o bem, abalar os alicerces da sociedade, desde sempre.

E, bem, continua tudo a mesma porra, desde sempre.

Vomitei depois, caso você tenha ficado preocupado com meu estômago.

3 comentários:

Antônio LaCarne disse...

realmente, tudo continua a mesma porra desde sempre.

aline disse...

tudo continua a mesma porra desde sempre, mas pelo menos você vomitou e dormiu. pelo o que pude perceber.

acho que eu já pensei muitas vezes em tudo isso aí que você pensou depois de 35 horas acordado.

um beijo em você, miné.

aline disse...

lembrei de uma coisa: deuzulivre do mal que esse vinho deve ter feito em você.