13 de março de 2012

Rabisco

Me sinto tão insignificante, pequena
Que com certeza caberia em seu peito
Faria de seu abraço um vasto mundo
E de seu coração, meu leito

4 de março de 2012

No Fundo, Todo Final é Feliz

Aquela escuridão,  aquele silêncio. Apenas ruídos longíquos de máquinas. A fumaça pesada, seca, acre. As palavras soltas com cada pingo de emoção homeopaticamente dosado.

A voz que falhava, os sussurros e suspiros vindos daquele monte de rostos ocultos na escuridão. O brilho fraco, a luz mórbida e trêmlua daquelas velas.

Uma oração herege, maldições sagradas, heresias salvadoras. Canhão de luz na cara, a mesma música triste, sempre na mesma hora, os mesmos passos.

Os tapas no rosto. O gole d´agua de segundos contados. O imenso texto decorado falando de morte.

Descrença.

Drama, humilhação, vultos que no anonimato da penumbra observam a tudo com sadismo. Com suas trêmulas mãos entrelaçadas apenas esperam, como abutres,  que a anunciada carcaça se entregue logo a seu destino.

As últimas ofensas, as maledicências derradeiras, a lágrima vindoura.

E então tudo acende, os vultos ganham forma, e parabenizam a carnificina romântica que acabaram de assistir.

Reverência e sorriso.

Ela volta para o camarim e escova os dentes, o gosto na boca é horrível, ela nem fuma de verdade. Tira a maquiagem, respira um pouco, toma um gole d´agua sem pudor dessa vez e não vê a hora de voltar para casa.

Encostar sua cabeça no peito dele,  acariciar levemente sua coxa e sentir um beijo suave na testa.

Fechar os olhos e agradecer por não ter que  fazer, também da felicidade, encenação.