Quantas chances ainda temos?
fugimos para os labirintos escuros
mofados e sujos de sangue
das nossas pífias
frágeis
cruéis
e verdadeiras mentiras
Quantos caminhos restam?
já nos abrigamos da tempestade
já corremos de bestas
já nos escondemos de deus
e o que conseguimos?
Um pai passeia com seu rebento
comprando sonhos
e se refrescando com veneno numa casquinha
e o filho busca sua mãe
que descansa como rainha em seu reino podre
com os ratos e a merda
de seus súditos que lhem fodem
e pagam com morte numa lata
Aquele que nos salvará
vestirá vestes brancas e reluzentes
com uma assinatura famosa
e confeccionada por crianças sem alma
chegará em sua carruagem
com ar condicionado e computador de bordo
e dirá a todos os tabloides que
o tempo, enfim, acabou
quem pagou, que saia de seu labirinto
quem se perdeu no caminho
que tenha o que merece
com o minotauro impiedoso
da vida plena, feliz e saudável
que eles, de bom grado
renegaram.

