Estamos em Abril, ou seja, nem um pouco perto do fim do ano.
Ou talvez não.
Lá se foram quatro meses, e eu ainda sinto o vento do dia do Reveillon no rosto, e minha garganta ainda arde quando penso no tanto que gritei naquele dia.
Ao lembrar de toda a esperança que eu sentia no começo do ano, de tudo aquilo que pela primeira vez me fez acreditar que as coisas poderiam dar certo, sinto uma angústia desesperadora.
As coisas vêm dando certo para mim, em todos os campos da minha vida, até aumento (mínimo) da mesada eu consegui, mas algo ainda me incomoda.
Estamos em Abril, e foi ontem que eu pensei que 2010 seria um bom ano.
Mais ainda, parece que foi anteontem que eu estava as dez horas da manhã em um boteco qualquer escondido no centro da cidade, daqueles escuros e cheio de velhos, jogando sinuca e bebendo cerveja com um monte de moleques que assim como eu, tinham passado o maior sufoco minutos atrás com medo de reprovar. Jogávamos com uma alegria imensa e quase morríamos de rir por qualquer coisa, ainda assim, quando eu sentava em um dos bancos que ficavam no balcão do boteco, sentia uma vontade imensa de chorar. Era o último dia de aula, e algumas horas depois eu estava lutando para conseguir colocar a camisa do terno por dentro da calça de uma maneira que não ficasse amassada, afinal, logo seria a minha festa de formatura.
Cinco meses se passaram desde então, eu estou na faculdade e quando passo na frente do antigo colégio ainda sinto uma vontade imensa de chorar.
O tempo tem passado, eu não consigo parar de pensar nisso. 2010 está sendo um ótimo ano, mas tenho medo de que, com a mesma velocidade que as coisas estão se tornando tão boas, elas desmoronem, e eu nem perceba.
Não sei o que sinto ao certo, não consigo nem assimilar a idéia de que comecei a escrever esse post em um dia, e agora ja é outro, meu relógio marca exatamente 00:02, ou seja, enquanto escrevo esse post que fala do tempo, mais um dia ja passou.
Agora já é quarta feira, e eu acabei de ter um dejavu. Me vi escrevendo exatamente isso, agora.
Quarta-feira, o meio da semana que começou segundos atrás. A palheta que eu usei no violão da igreja no domingo ainda está no meu bolso, a roupa ainda está jogada e ja estamos no meio da semana.
Tremo ao pensar que talvez o tempo da minha felicidade, do meu ano bom esteja acabando assim, tão rápido. Temo que as coisas saiam erradas.
Tenho um choro engasgado em minha garganta. Medo.
Não quero perder nada que consegui nesses quatro meses, quero passar o resto da minha vida com essa sensação, com essa alegria, com essas pessoas ao meu lado, todas elas.
O choro torna-se quase real ao pensar que talvez o tempo seja uma contagem regressiva para que tudo isso acabe. Quero evoluir sim, mas como estou hoje.
E eu sei o que não estou, sozinho. Agora me parece que o medo nada mais é do que de voltar a ser solitário. As amizades que eu tinha medo que acabassem continuaram, todas elas, e um outro vazio que eu carregava dentro de mim foi preenchido dia vinte quatro de Janeiro. Não quero que esse tempo que passa com uma velociodade aterradora me traga de volta a solidão.
Não sei como terminar esse texto.
***
Desculpe pelo texto meio sem nexo, mas ele foi escrito conforme as coisas foram aparecendo na minha cabeça, e não foi revisado. As palavras foram jogadas ai na velocidade do meu pensamento, portanto peço perdão por qualquer erro gramátical ou coisa parecida.