14 de abril de 2010

Hemorragia

Estamos em Abril, ou seja, nem um pouco perto do fim do ano.

Ou talvez não.

Lá se foram quatro meses, e eu ainda sinto o vento do dia do Reveillon no rosto, e minha garganta ainda arde quando penso no tanto que gritei naquele dia.

Ao lembrar de toda a esperança que eu sentia no começo do ano, de tudo aquilo que pela primeira vez me fez acreditar que as coisas poderiam dar certo, sinto uma angústia desesperadora.

As coisas vêm dando certo para mim, em todos os campos da minha vida, até aumento (mínimo) da mesada eu consegui, mas algo ainda me incomoda.

Estamos em Abril, e foi ontem que eu pensei que 2010 seria um bom ano.

Mais ainda, parece que foi anteontem que eu estava as dez horas da manhã em um boteco qualquer escondido no centro da cidade, daqueles escuros e cheio de velhos, jogando sinuca e bebendo cerveja com um monte de moleques que assim como eu, tinham passado o maior sufoco minutos atrás com medo de reprovar. Jogávamos com uma alegria imensa e quase morríamos de rir por qualquer coisa, ainda assim, quando eu sentava em um dos bancos que ficavam no balcão do boteco, sentia uma vontade imensa de chorar. Era o último dia de aula, e algumas horas depois eu estava lutando para conseguir colocar a camisa do terno por dentro da calça de uma maneira que não ficasse amassada, afinal, logo seria a minha festa de formatura.

Cinco meses se passaram desde então, eu estou na faculdade e quando passo na frente do antigo colégio ainda sinto uma vontade imensa de chorar.

O tempo tem passado, eu não consigo parar de pensar nisso. 2010 está sendo um ótimo ano, mas tenho medo de que, com a mesma velocidade que as coisas estão se tornando tão boas, elas desmoronem, e eu nem perceba.

Não sei o que sinto ao certo, não consigo nem assimilar a idéia de que comecei a escrever esse post em um dia, e agora ja é outro, meu relógio marca exatamente 00:02, ou seja, enquanto escrevo esse post que fala do tempo, mais um dia ja passou.

Agora já é quarta feira, e eu acabei de ter um dejavu. Me vi escrevendo exatamente isso, agora.

Quarta-feira, o meio da semana que começou segundos atrás. A palheta que eu usei no violão da igreja no domingo ainda está no meu bolso, a roupa ainda está jogada e ja estamos no meio da semana.

Tremo ao pensar que talvez o tempo da minha felicidade, do meu ano bom esteja acabando assim, tão rápido. Temo que as coisas saiam erradas.

Tenho um choro engasgado em minha garganta. Medo.

Não quero perder nada que consegui nesses quatro meses, quero passar o resto da minha vida com essa sensação, com essa alegria, com essas pessoas ao meu lado, todas elas.

O choro torna-se quase real ao pensar que talvez o tempo seja uma contagem regressiva para que tudo isso acabe. Quero evoluir sim, mas como estou hoje.

E eu sei o que não estou, sozinho. Agora me parece que o medo nada mais é do que de voltar a ser solitário. As amizades que eu tinha medo que acabassem continuaram, todas elas, e um outro vazio que eu carregava dentro de mim foi preenchido dia vinte quatro de Janeiro. Não quero que esse tempo que passa com uma velociodade aterradora me traga de volta a solidão.

Não sei como terminar esse texto.

***

Desculpe pelo texto meio sem nexo, mas ele foi escrito conforme as coisas foram aparecendo na minha cabeça, e não foi revisado. As palavras foram jogadas ai na velocidade do meu pensamento, portanto peço perdão por qualquer erro gramátical ou coisa parecida.

7 comentários:

Gabriela P. disse...

Tempo pra me recuperar...






Pronto, ou não, sei lá! :S
Mas te garanto, Henrique, que nada disso acabará assim não! E espero que nunca!
" um outro vazio que eu carregava dentro de mim foi preenchido dia vinte quatro de Janeiro." [2]

Beeeeeeijos!
Te amo! ♥

Clariano disse...

Quase chorei! =/
Comentei sobre minha tristeza com você hoje!
Lembro-me muito bem do nosso último dia de aula, uma sala fechada, os piores alunos, ou melhores, do terceiro ano, nervosismo, choro, brigas, emoções a flor da pele, torcendo para que seja dito que toda aquela conversa de reprovação seja brincadeira, que por sorte, foi. E minutos depois estávamos todos alegres, bebendo, jogando, e curtindo os amigos. Bons tempos.
Entretanto, nossa tristeza é totalmente diferente, embora eu não tenha encontrado nenhum motivo para isso, estou triste, tento não demonstrar, tento evitar, mas ela sempre vem ao calar da noite. E enquanto você torce para que o tempo não passe tão rápido, tirando tudo o que você não quer, eu quero que ele não pare, e não demore pra me tirar essa angústia.
Abraço!
Seu eterno amigo, Clariano.

Maria Midlej disse...

É bom soltar tudo de vez, é pra isso que as palavras servem: para serem soltas.

Eu nao gostei do seu medo. Não quero que se sinta assim, quero dizer, MEDO DE ACABAR O QUE ESTÁ SENDO BOM? Porque nao aproveita esses momentos de gloria que talvez nem venham a ter fim?

É, é como voce irá se sentir muuitas vezes na vida, eu desejo. rs :)

Caio Lima disse...

eu gosto de ideias espontaneas

pq o tempo passa rápido mesmo. já estamos na metade de abril mano

abraço e seguindo
fui *_*

Mayara Buss disse...

eh, terminar o colégio onde se fez ótimos amigos eh muito triste..
mas o q eh verdadeiro não passa..
fazes boas as vezes mudam de rumo, passam por crises, mas nunca se vão, e sempre deixam muitas coisas

adorei o texto 'meio sem nexo' ^^

Thais Alves disse...

Tenho muito medo dos finais , nunca quero que as coisas boas que acontecem comigo acabem e nem tão pouco das minhas amixzades , choro as vezes só de pensar no dia em que terei de sair do meu colégio onde passei váarios momentos felizes . Mas algo que faço e que recomendo a ti , siga em frente e viva intensamente , pois si um dia tudo chegar ao fim , você terá pelo menos a recompensa das lembranças dos momentos felizes . Ameei o texto , seguindo ;*'

Anônimo disse...

Velho o tempo ta mesmo passando muito rapido...
'O tempo tem passado, eu não consigo parar de pensar nisso. 2010 está sendo um ótimo ano, mas tenho medo de que, com a mesma velocidade que as coisas estão se tornando tão boas, elas desmoronem, e eu nem perceba."
Tambem ando pensando muito nisso.
Ai, ai '-'

Beijos