(de escrever, de viver…)
I
Olho ao redor, e tudo se foi
presto atenção, é o mesmo mundo
sozinho, ainda não sei pra onde ir
ainda assim, queria que você continuasse junto
As palavras inesperadas da madrugada
que me acordaram e pareciam sonho
me jogaram de volta ao mar de culpa
habitado por todos os demônios que me envergonham
O ciclo recomeçou
como sempre estou só
Isso, esse poema, tudo
essas rimas forçadas
tá tudo uma merda
II
Só queria um pouco de paz
ser menos egoísta
ter para onde ir agora
pensar com clareza
um abraço
que meu estomago parasse de doer
que não parecesse sempre que estou prestes a desmaiar
parar de me afogar em lágrimas alheias
de enganar
de mentir, mesmo que inconscientemente
queria ter coragem pra ser quem sou
queria saber isso antes
tudo
a vida, o poema, mesmo sem rimas forçadas
continua uma bosta
III
Vou fugir
para onde eu tenha inspiração
para o passado, onde tudo era lindo
e eu, inerte
vou voltar
para qualquer outro lugar
bem acompanhado
talvez só
quem sabe então, não precisarei de artifícios
na minha vida
nas minhas verdades
nem nos meus poemas
não precisarei ficar assim
dividindo-os em partes
nem sei o que elas querem dizer
nem terminá-las com palavrões
pura frustração
Vou fugir
fugir e viver em paz
talvez te leve comigo
não sei
talvez
é foda
IV
Mas, sinceramente
acho que, se você vier junto
depois de tanto tempo
é o mínimo que merecemos
aí então
vai ser do caralho!


3 comentários:
um poema mesmo que sem rimas forçadas que seja assim um desses cheios de finais do caralho.
lindo poema pra ser lido aqui, em plena manhã de domingo. parabéns!
Adorei, Henrique! O seu ritmo poético é muito bom e sincero. Adoro! Fugir de si mesmo pode ser o caminho para a si mesmo se encontrar. Afinal, a vida é um eterno paradoxo mesmo.
Bjos
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