“Obrigada”.
Não passou de um sussurro, abraçados, nus, na cama, ela falou para o outro lado, talvez com os olhos fechados, talvez mirando a parede. Aquela, até pouco tempo, desconhecida, soltou o singelo agradecimento depois de um breve momento de hesitação para ele que, como não é de se admirar, não podia ter causado pior primeira impressão. Sorte que os ditados, ao contrário do que se acredita, raramente estão certos.
E a palavra entrou na mente dele, que a envolvia em seus braços e não podia deixar de pensar na sorte que vinha tendo, que apreciava o cheiro tão novo, desbravava, com as pontas dos dedos, cada canto secreto daquele corpo, fazia questão de, sempre que mirava o pescoço dela, desnudo, desprotegido das cobertas, dar um rápido, porém carregado de carinho, beijo, para aquecê-lo naquela noite, teoricamente, tão fria.
E motivos para agradecer sempre existem aos montes, motivos para agradecer, a gente só se esquece de procurar, culpa da preguiça, culpa do numero de motivos para maldizer, na maioria das vezes, infelizmente, ser maior. Não importa. Na verdade, isso só faz os sinais de gratidão ainda mais apreciáveis.
E inesperados.
Assim, o sussurro teve a força de um brado, carregando consigo tanto significado que, talvez, nem ele mesmo tivesse consciência.
O abraço ficou mais apertado, um leve suspiro foi solto.
“De nada”.
***
Não deixa de ser uma homenagem a esse blog e seus leitores, que chega, com esse, ao seu centésimo post. Muito obrigado!


3 comentários:
O obrigado mais reflexivo/criativo que o blog poderia ter!
Esperando o 101, já!
Beijoooos.
disponha! (:
hehe
beijas, Miné :*
Vc deveria investir nessa carreira de cronista. Seu traço é genial... Mas escrever ás vezes é tão sacal, eu sei muito bem disso. Mas não desperdice seu talento camarada. Abraços.
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