11 de julho de 2014

Uma Crônica Feliz Mas Devidamente Disfarçada Com Uns Restos de Amargura e Melancolia Enlatada que Encontrei Por Aqui



O tempo tem passado rápido demais ultimamente. Esses dias me vi pensando em quando era criança, ficava horas observando as nuvens desfilarem, inventando jogos bestas, conversando sozinho. Os dias se arrastavam, me torturando, impiedosamente.
Hoje acordei cedo, sem querer. Algo entre ressaca e ansiedade me acometeu. As lembranças da noite passada, embora deturpadas, eram mais vívidas do que nunca. Alguns beijos nunca tiveram tanto efeito em mim como nesses tempos. Esses menos libidinosos, de despedida, ou reencontro. Esses após uma brincadeira boba. São esses que me pegam. O sexo burro tem me cansado, existem beijos e beijos, uns querem dizer algo, outros não passam de troca de fluídos e bactérias. Bactéria por bactéria, bastam as minhas.
A cabeça rodando, o estomago doendo, e o calafrio que, embora conhecido, andava sumido.
Hoje acordei cedo, sem querer, e passei o dia em casa. Vestido apenas com a mesma cueca, o dia inteiro, me arrisco a dizer que nem abri a porta, não vi a luz do sol, não cheguei a me aventurar nem pelo quintal. Li um livro qualquer que encontrei aqui de uma vez só. Uma merda, na verdade, uma sucessão de tragédias friamente calculadas pelo autor a fim de fazer o pobre filho da puta que se aventurar a ler aquelas páginas verter algumas lágrimas com o fim delas. Funcionou muito bem.
Fiz um frango.
Ficou gostosinho até.
Quase não fumei, não tomei banho. Ouvi algumas musicas, pensando que conseguiria dormir a tarde, mas não funcionou. A solidão dessa casa vazia me oprime. Ainda mais em dias frescos, ensolarados, onde eu simplesmente não tenho nada para fazer. Tentei a televisão por algum tempo.
Requentei o frango. Achei abobora na geladeira. Salada de agrião.
Minha cabeça já havia sarado, o estomago também. A ressaca não resistiu à manhã. Mas a ansiedade, os calafrios, esses aumentavam na medida em que as lembranças iam ficando mais claras.
E o dia foi embora. Encontrei meia garrafa de vinho branco. Bebi deitado em minha cama. O dia foi embora, e eu nem vi. O dia foi embora e eu nem aqui estava.
Queria ser desses que sabem o que fazer, pessoas determinadas, com certeza do que sentem, ou, melhor, sem medo de assumir qualquer tipo de sentimento. Não é meu caso, definitivamente. Quando pensei em sair, já era mais de meia noite e eu continuava sem ter para onde ir, nem dinheiro para fazer qualquer coisa.
Quando criança, o tempo se arrastava, e eu ia dormir com vontade de chorar, por querer crescer logo e ver a vida acontecer.
Hoje, a vontade de chorar continua, mas é por conta da vida que acontece rápido demais, até em dias preguiçosos de êxtase saudosista. Chorar não é necessariamente algo ruim, afinal de contas. A noite, a ansiedade é ainda maior, os calafrios saíram do meu estomago e tomam meu corpo todo. A lembrança de cada segundo de cada beijo só aumenta. E, não que tenha algo a ver, mas as juntas dos dedos do meu pé direito começam a doer por conta do tempo que esfriou. Acho que logo durmo. Tenho a impressão de que contarei, ao menos, com a companhia de bons sonhos.

***

Não esquece de seguir a porra da página no facebook, lá é mais bacana. 

2 comentários:

Fernanda Sousa disse...

Fazia um bom tempo que não me identificava tanto com um texto como me identifiquei com este. Incrível.

Dani disse...

"Quando você é criança você é tão ingênuo a ponto de achar que ser adulto é uma coisa legal." - PC Siqueira.