(ou: O que Deve Ser Dito Nunca Cabe em Poesia)
eu não sou
um escritor
um poeta
ou um romantico
aquele cara inteligente
e sensível
aquele que inventa todo dia
cartas e declarações de amor
aquele que tem um ninho confortável
para acolher a sua eterna amada
o infeliz que sofre por prazer
ao perceber que não conta com a reciprocidade de seu amor tão puro e verdadeiro
eu sou um bosta!
exatamente aquele que você
pode ter visto
um dia, quem sabe
dez, vinte, trinta anos
atrás
fumando um cigarro vagabundo
na fila
da agencia de empregos
com o olhar perdido
sem saber direito
nem o caminho dali
até sua casa
aquele que senta
no fundo do onibus
e sorri, todo dia
para uma desconhecida que entra
que, anos depois
continuaria o mesmo ritual
apenas para gastar
sorrisos e olhares,
alimentar ilusões
e, bem
e olhar a desconhecida, porque afinal de contas
o ponto é esse
quer saber?
não sou porra nenhuma
um fracasso anunciado
sem um pingo de auto-estima
não sei falar poeticamente
formulando metáforas arrebatadoras e bregas
sobre o corpo da minha musa
nem sobre as batidas aceleradas do meu coração ao encontrar seus olhos,
também não sei agir como um romantico arrependido
que, abandonado
se humilha constantemente por um sorriso de misericordia
sei o que sinto
e só
mas já basta
para me encher
de medo
muitas pessoas, saiba bem
costumam me odiar por aí
e as que não odeiam
me consideram, no minimo
má companhia
outras tantas, saiba tambem
costumam cultivar mágoas sobre mim
e as que não cultivam
não se surpreenderiam
caso eu as magoasse
e muitas pessoas
já me escutaram dizer
que as amo
você, não
pode ser que um dia escute
e acredito, de coração
que esse dia chegará
mas enfim,
eis aí
em linhas e linhas de uma pseudo-poesia grotesca
o aviso,
pense bem
na sua resposta
em minha defesa
digo apenas
que, apesar de tudo
sou bonzinho
e não costumo mentir,
não sobre essas coisas
***
curta a página, blablabla.
24 de julho de 2014
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