Mãos dadas, copo repartido.
Era assim que você estava quando a vi pela última vez. Pois bem, ele é exatamente o tipo que você me disse que gostava.
Indiferente, você ria e soltava as baforadas de seu cigarro com a graça desajeitada que só você tem, ele ficava quieto, o imbecil, com aquela boca meio fechada meio aberta de bosta, e aquele olhar de peixe morto. O detestei logo de primeira.
Sabe, foi meio louco, mas esses dias parece que senti, do nada, o seu cheiro na minha casa. Não, não falo da minha cama, falo da minha casa mesmo, como se tivesse entrado pela porta e, uma vez la dentro, tenha resolvido dar um passeio para checar se está tudo em ordem.
Sabemos muito bem que não foi isso que aconteceu, foi só um surto mesmo, de tanta saudade. Abracei meus próprios braços nessa hora, exatamente da maneira que você fala que eu faço quando não estou legal.
Tenho abraçado muito os meus braços ultimamente.
Pois bem, lá estava você e seu sorriso continuava torto como sempre. Ao menos é um torto encantador, e não desprezível como a cara daquele merdinha que estava do seu lado. Até que você me viu, entortou ainda mais o sorriso, o que é um bom sinal, e veio em minha direção.
Tentei trocar a perna de apoio, fazer um charme, acender o cigarro e tragar de um jeito diferente, mostrar que estava bem.
Me desequilibrei e acabei me queimando.
Pelo jeito você já bebeu bastante essa noite, hein querido! Maldita mania essa sua de me chamar de querido, não sabe como acredito! Comecei agora, envergonhado e com dor, foi tudo o que consegui dizer, então já está na hora de parar.
Muito engraçada você.
Quem sabe daqui a pouco, como está? Ah, bem, te peguei, vi que você ficou com vergonha, sua sobrancelha tremeu daquele jeito bizarro! Como eu estava? Bem, meio bêbado já.
Sabe o que percebi esses dias? Você me disse, meio que mudando de assunto, meio que continuando no anterior, que eu nem sabia ainda qual era, que podemos ser amigos e, porra, ainda somos! Você estava bêbada também! Amigos, amigos... Amigos o caralho! É, podemos sim! Sempre gostei de ser seu amigo, é eu também sempre gostei de você. Digo, ser sua amiga.
É, entendo.
Um abraço demorado, um beijo na testa que você tanto gosta, um olhar ternamente cruzado, uma vida perdida nesses segundos. Então você voltou pro seu canto.
Pois bem, vou falar só como amigo agora e, uma vez apenas isso, sem nenhuma segunda intenção: largue esse bosta!


6 comentários:
Larga esse bosta! Cara, eu amo seus textos, sem mais.
Beijos.
acho que sempre vai existir uma segunda intenção atrás de cada conselho, nesses tipos de amizade. porque né.
beijas, Miné ;*
huuum... ciúmes então hahaha
beijos ;*
Não parece que as palavras saíram do mais intimo dos sentimentos do autor?
Beijos Henrique.
Sempre bom escutar o conselho de alguém que já te amou.
O Miné tá foda UHAUAHAUHAUAHUAH
''larga essa bosta'' foi o melhor conselho. hahahaha
eu escrevo no mural da geladeira essa semana. E tenho dito! haha
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