1 de dezembro de 2011

Sex On The Bad

Ele mal tinha uma casa, há tempos não conseguia sorrir, gritava aos quatro cantos do mundo que odiava crianças e cachorros, não comprava televisões para alugar mulheres e sua cerveja tinha acabado na noite anterior.

Era como um buraco sem fim abaixo de si, aquele circulo meticulosamente planejado apenas devorava os corpos e as almas ferventes de luxúria.

Era como se ele não tivesse outro lugar para estar, senão ali, um ninho de serpentes fálicas, era nisso que ele tinha se enfiado, e, nesse momento, ele não era nada mais além disso. Um instrumento, que ele usava para si mesmo.

Cercado de feras, bestas prontas e desesperadas para mastiga-lo, ele se afundava naquele universo obscuro, e dançava com os monstros, se perdia em seus prazeres, e caminhava cada vez mais com eles para o inferno.

No fundo, ele não queria estar ali, e também sabia muito bem que não devia, os espelhos em todos os cantos do quarto o acusavam, ele podia escapar de qualquer um, menos de si, que estava nas paredes, que estava no teto, o observando e acusando.

Com o olhar vazio, e a boca apenas entreaberta para puxar um pouco de ar, sem emitir qualquer tipo de som, ele não era a melhor pessoa para dividir a cama, e embora sua companhia fosse muito bem paga para aguentar qualquer tipo de excentricidade nessas horas, ele não queria deixá-la preocupada. Preferia ignorar o fato de que o único pedaço daquele corpo que ele não podia comprar era o coração

Justamente o que ele realmente queria.

Um coração, caso ele tivesse quem amar não precisaria viver com as serpentes, com as bestas traiçoeiras que estavam sempre o enganando e subindo ameaçadoramente por suas pernas.

Mas ele não conseguia sair disso, até porque, o resto do mundo era tão sem sentido quanto. Aquele ninho, aquele buraco redondo, macio, pecaminoso e mortal o atraia, o seu próprio olhar desesperado e inquisidor no espelho do teto o excitava, seus tremores involuntários o lembravam de que, apesar de tudo, ele continuava vivo.

Se bem que, nessas horas, continuar vivo não era bem um consolo.

Acabou o tempo, sua fiel companheira tratou de avisá-lo sem um minuto de atraso. Pois bem, ele pagou tudo que tinha para pagar, dirigiu tudo que tinha para dirigir e, chegando em casa, abriu um sorriso, abraçou uma criança, brincou com um cachorro, assistiu um telejornal qualquer com uma linda e respeitável mulher nos braços e uma cerveja na mão, e, como todo santo dia, adormeceu no sofá, sozinho.

***

Perdoe o trocadilho infeliz do título, é que não consegui pensar em mais nada além de coisas como “as ilusões de um amante desesperado” e outros potenciais nomes de discos do Wando.

5 comentários:

Ana Flavya disse...

Oii Henrique
Quanto tempo hein :O
Tudo bem?
Pois é, eu sumi :s cheguei ao auge da dor que nem palavras mais saiam, mas como tudo passa, tudo passou ou quase lá, e estou de volta *-*
Gostei do texto, e sinto falta do Palhaçadas a Parte.
Beijos beijos !

Maria Midlej disse...

Seu bobo! Confesso que foi exatamente o trocadilho infame que me fez continuar a ler até o final pra ver se eu sacava.
Acho que saquei. Acho que gostei muito desse aí :~

HAHAHAHA Eó, como eu respondi lá nos comentários do meu blog. Esquece isso de achar que ali tem eu no meio, porque não. Decidi voltar a ´´inventar´´ pq se depender da minha vida amorosa (ou em qualquer outro aspecto), não sai nem um parágrafo. ahaha

beijão, Miné.

quaresma. disse...

eu me pergunto se não seria melhor o divórcio, porque se é pra viver nessa solidão compartilhada, eu votaria pra ele se mudar pro motel e ter a cada noite uma companhia para dividir a cama. ou algo do tipo, hehe

beijas, Miné ;*

Maria Mariana disse...

Melhor mesmo seria,se ele dividisse o quarto de motel com a linda e respeitável mulher.

Beeeeijos! ♥

Ana Caroline disse...

Não digo se há um melhor, ou pior nas situações, acho que é mais questão de escolha e perspectiva, ou a falta desta.

Enfim, graças ao título que parei tbm :B

UAHSUASHUHAS, bjj