“Do que você mais gosta em mim?”
Ela perguntou daquele jeito que elas perguntam, com a voz meio melosa e os olhos faiscantes, certas de que serão cobertas de elogios.
“Não sei…” Ele respondeu, com o ar de idiota que eles sempre fazem, certos que elas estão certas de que serão cobertas de elogios, ficam pensando em um jeito de surpreender.
Isso, surpresa!
“Acho que da sua… Como se diz?”
“O que?”
“A palavra, esqueci…”
“…”
“Inconstância! Será que isso existe?”
“Inconstância! Não sei, parece que sim, mas o que você quer dizer com isso? Como diabos gosta disso se nem sabe se existe?”
“Você não é constante, ué! Nunca sei o que esperar de você!”
“E você gosta disso?”
“Mas você não é assim?”
“Acho que sim, né! Mas perguntei se você gosta!”
“Gosto! Adoro! Acho que é isso que me faz querer ficar contigo! Eu nunca sei o que esperar, entende? Eu te encontro numa roda, e não sei nem como te cumprimentar! Nunca sei do que você está ou não afim, nunca consigo ter certeza dos seus sentimentos…”
“Mas eu sempre sou tão sincera com eles!”
“Sim! Mas exatamente por isso, você sempre me conta o que sente, e seus sentimentos estão sempre mudando! Eu ligo sempre sem saber se você vai atender, te beijo, e nunca sei se você vai retribuir, nunca tenho certeza de nada com você, isso me excita! Me deixa constantemente com um aperto no peito, e uma vontade estranha de chorar, um choro que, sei lá, não sai, sabe? E aí, porra, aí sei lá, é legal ter sempre essa duvida, ainda vai me matar, mas eu adoro!”
“Poxa, que legal” Ela nunca falava muito, mas era sempre sincera, não falou isso por falar, falou porque achava realmente legal!
Ele pegou sua mão e a beijou, ela continuava séria.
Um beijo.
Quando acabou, após um pequeno silêncio que sempre pairava sobre eles (ele nunca se importou, adorava o fato de apenas estar com ela, as vezes o silêncio era até bom, a sua companhia era diferente, dispensava esse tipo de coisa. Não da pra saber o que ela achava dos silêncios), outra pergunta.
“E o que você menos gosta?”
Ele pensou por um bom tempo.
“Como é o nome mesmo?” Ele não se lembrava, mas a essa altura, ja era obvio.
“Inconstância?”
“Isso, acho que é isso!”
Ela abriu o sorriso, e retribuiu o beijo.


4 comentários:
Inconstância, gosto de como soa. Na verdade gosto mesmo é da inconstância...
Lindo Miné :)
Volte mesmo, viu seu moço?
Tudo o que a gente mais gosta é tudo o que a gente menos gosta.
hahahahaha
é uma loucura.
saudade sua, miné.
aparece.
aiaiai como é bom ler coisas assim, me identifico mto!
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