O Sol da tarde queima o asfalto
que queima os pés
a Estátua não sente
E a fumaça dos carros não deixa respirar direito
e dói o peito
mas a Estátua não respira
E o calor infernal faz as pessoas soarem
e molharem suas roupas veranis
mas a Estátua é toda negra
E param, na sombra
torcendo para Ela se mover
colocando a mão no bolso
contando as migalhas que não vão ter
E a estátua negra, com os olhos vermelhos
finge não ouvir as crianças rindo
tenta ignorar o que está sentindo
se concentra em não mover os joelhos
Mas quando os metais se chocam no chão
fazendo o som que tanto aprecia
Ela se move, triste, lembrando do dia
em que tinha um coração.


Um comentário:
E apesar dos apesares todos, ainda sim esculpida, ganhando metais...
Postar um comentário