Ela era amiga do amigo do primo dele que nem tinha sido formalmente convidado. Mas acontece que o primo foi, e convidou um amigo, mas o amigo já tinha um compromisso com essa amiga, então ele sugeriu a ela que todos fossem, ela aceitou, e todos foram.
Acontece que o lugar era apertado, e ele saiu para tomar um ar. Ela tinha que fazer uma ligação e o celular não funcionava. A reação um pouco violenta e exagerada com o aparelho chamou a atenção dele, que ela sequer tinha visto, e fez com que ele risse. Ela olhou para trás e também riu, só que de constrangimento. Então, para aliviar um pouco a situação ele fez uma piadinha qualquer, ela gostou, começaram a conversar. Esqueceram de entrar.
No fim da noite não trocaram telefones, mas sim endereços virtuais, logo começaram a conversar todo dia, ficavam cada vez mais ansiosos para se encontrarem virtualmente, e as conversas eram cada vez mais longas.
Tinham muito mais coisas em comum do que imaginavam, e imaginavam muito mais do que é considerado seguro.
Um belo dia, véspera de feriado, ele a convidou para sair. Mas onde? Ela quis saber, ele pensou um pouco e disse que conhecia um certo bar, bem legal e arrumadinho, não muito caro, que ele sempre ia quando tinha banda. Ela aceitou na hora. Mas chegou um pouco atrasada, ele não se importou, e pediu mais uma cerveja.
Embora ambos estivessem com um certo receio de que, pessoalmente, não fossem ser tão desenvoltos, a conversa fluiu muito bem, e a cada palavra trocada se sentiam mais e mais atraídos um pelo outro, mais e mais fascinados, mais e mais, até, apaixonados.
Então ele disse que precisava ir ao banheiro, volta logo, ela disse, com certeza, ele respondeu, não quero ficar perdendo tempo. Ela riu e ficou vermelha, ele lhe deu um selinho com uma naturalidade vinda sabe-se lá de onde e levantou. Ficou o tempo todo pensando o que tinha lhe dado para fazer aquilo. Ela fitou o horizonte e não parou de sorrir até ele voltar e lhe dar outro desses beijos. Demorei? Não! Nem vi o tempo passar.
Conversaram mais, só que agora o inesgotável papo permeado por gostos em comum e histórias engraçadas começou a ser, cada vez mais, brutalmente interrompido por beijos muito mais calorosos do que aquele selinho que, embora especial, é um tipo de beijo muito burocrático.
Perderam a noção do tempo, e se despediram com sorriso no rosto e coração queimando. Não dormiram, ficaram trocando mensagens no celular. No dia seguinte, cada um contou eufórico para seus amigos como tinha sido, ela já arriscou uns versos, ele pensou em comprar umas roupas mais bonitinhas.
Bem, de qualquer maneira, não deu certo.


6 comentários:
E como suas palavras fluem e como meus olhos correm, parece filme. Ah, Henrique, adorei esse teu jeito de terminar o que não, digamos, começou, grande desenvoltura da parte dele!
Quantos textos ainda não li, céus, ahaha...
Não sei o que mais me envolve em seus textos, se é a história que se passa como um filme bem dirigido, ou os finais inesperados.
Ok, quanto ao Emicida que tu citou no Se é pra Falar de... deve ser pessoal, ou porque o estrelismo dele mudou muito o que podia ser.
Enfim, gosto de ler seus textos e meus comentários andam escassos, não pensei que ia ficar tão sem tempo. Sempre bom te ver aqui, sim, em seu blog.
Beijos.
Cara, confesso que tive preguiça de te ler, mas ao passar da segunda linha, o inesperado só não foi maior que o final. ADOREI..
uns beijos :*
UHASUUAHSUHAUUSH como assim vc termina o texto desse jeito? pensa numa pessoa super empolgada lendo a história, e de repente leio "não deu certo"...
é, acho q entendi oq vc quis dizer...
pode não ter dado certo, mas pelo menos os dois tiraram um proveito : )
beijas, Miné ;*
AHÃ! Já esperava um final fora do convencional. Afinal, histórias bonitas são ilusórios clichês.
Sobre o texto, confesso que não sou fã de narrativas longas, principalmente quando os temas são sobre relacionamentos. Mas apesar da minha primeira impressão tenha sido de: "Puxa, que texto grande!", desta vez, decidi arriscar-me em tuas linhas e entrelinhas, e acabei por viajar.
Uma deliciosa narrativa que até me impressionei com a facilidade e rapidez que cheguei ao fim.
E agora vejo que julguei errado. Estava totalmente equivocada. Mais difícil do que digerir teu conto, é agora, para mim, expressar o que achei dele.
Beijo doce.
Ótima semana a você.
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