18 de setembro de 2011

Novos Domingos Me Esperam

A gente se engana tanto, querida
A tristeza está aí, para ser vivida
O sofrimento, tempestade e desilusão
O pranto, tanta morte e solidão

Todo mundo parece pronto a ignorar
A imensa sombra que cobre o luar
Todo mundo quer saber de viver a vida
Longe dos outros, alma esquecida

E o tempo passa
Assim como aquele andarilho
E o tempo passa
Por cima de todo impecilho

Pronto para destruir tudo
Para transformar sua vida
Não sabe o que esperar do futuro?
Passado também é uma ilusão perdida

Hoje não sei nada
Ontem também não sabia
Hoje não sinto mais
O que sentia

Tento olhar para trás
Recuperar uma vida perdida
Voltar a dar um sentido
A tantas linhas escritas

Mas a estrada é negar atrás de mim
Nem sei como a percorri
Meu coração apertado choraria
Mas as lágrimas secaram, e não consegui

Tanta coisa destruida
Tão pouco amor sobrou
Esquecido em palavras soltas
Sobre uma eternidade que já acabou

Ah, minha menina
Se soubesses como te quero bem
Como encaixo no teu abraço
Ouvindo coisas que eles não ouvem

Ah, minha querida
Como pude te amar tanto?
Quase sacrifiquei minha vida
Pra não te ver em pranto

O que tem acontecido?
Por favor, me perdoe
Me chame, uma ultima vez, de querido

O que vem pela frente?
"Tanta coisa boa" você ja disse
Mas tenho machucado tanta gente
Pensei que infelicidade não existisse

Se eu chorasse agora, ninguém veria
Se minhas lágrimas (como outrora) ensopassem meu rosto
Você não está aqui, não as enxugaria

Eu poderia gritar, você não ia ouvir
Como ja grito, por dentro
Pena que sei mentir

Como queria estar em outro lugar
Como eu queria dormir em outra relva
Andar um pouco, sentir o cheiro do mar
Ouvir, ao fundo, os sons da selva

Como eu queria ver amanhecer
Com alguém que faça sentido em meus braços
Do alto de alguma montanha
Dando bom dia aos pássaros

Como eu queria deixar de ser sozinho
Mas ja tenho tantas companhias
O mundo, la fora, me espera
Mas já contei tantas mentiras

Que vida é essa, que esta me esperando?
Que ansiedade é essa, que está me matando?
É tanta saudade
É tanta maldade
Tanta solidão
Tanta escuridao
Olho ao redor, só vejo fumaça
Olho o horizonte, e está cinza
Já foi o tempo em que eu achava graça
Vou deixar, que ele minta.

***

Escrito aos prantos, no meio de uma madrugada perdida no mês passado, na época, pareceu apenas uma crise qualquer, hoje faz todo o sentido. Espero que você tenha tido paciência de ler.

3 comentários:

Ana Andreolli disse...

e tive paciência, e tive mto em comum, passei noites assim... muitas.

Ana disse...

Há tantos dias cinzentos, e tantas saudades previstas, mas o tempo, esse é imprevisível, o que é bom, sabe... Ele trará a luz ao luar sombrio e um novo sentido às palavras soltas.
Ah, a solidão é um grito no escuro, Henrique, muito tempo à você, se é que me entende.
Beijos.

Ana disse...

Não há de quê, hahaha, li de tantas mil formas... Gosto de tuas palavras, elas completam pensamentos que já tive, sabe?
Beijos.