2 de julho de 2012

A Cura Pro Meu Vício de Insistir…

“tentei chorar e não consegui”.

É uma grande besteira, mas sempre que escuto essa música, lembro do dia em que cantei essa frase no telefone pra você, ela tocava no fundo do meu quarto, você ria, tirava sarro, e eu debochava do seu deboche, ria das suas risadas, e provocava, só para ser provocado.

Esses dias assisti um filme, uma atriz qualquer lá me lembrou você, então depois, coincidentemente, escutei essa música, foi foda. Por onde você anda, hein? Às vezes eu paro, fico lembrando, a gente sempre se deu tão mal. Não tínhamos muito a ver, nem interesses em comum. Você tirava sarro das músicas que eu gostava, e até hoje eu não sei o que você escutava, mas aposto que era uma bosta.

E essa atriz, tinha até um jeito estranho de falar, voz de pato, igual você. A boca sempre pronta a lançar algum impropério, fazer algum comentário maldoso, dar um daqueles seus beijos. Me lembro da sua maldita mania de pegar meus cigarros sem eu perceber, e deixá-los escondidos na sua bolsa, da sua empregada abrindo a porta do seu quarto na pior hora possível, das suas garrafas de vinho no fundo do guarda roupa.

Posso jurar que senti seu cheiro na rua esses dias, alguém passou perto de mim, com o mesmo perfume, olhei para trás por instinto, e, no fundo, sem saber o que faria se fosse mesmo você.

Você me deu um abraço, daqueles de se pendurar, beijei sua testa, e saímos andando e falando sobre aquele monte de coisa besta que você gosta de conversar. Como sempre fizemos tão bem. Não me arrisquei a entrar em algum assunto delicado, você nem se importou e mandou toda a delicadeza do momento pra puta que pariu. Roubou um cigarro do meu bolso, disse que era o mínimo que eu podia fazer, por ser um “cara mal”, o jeito que você me chama desde o dia em que nos conhecemos.

Eu estava com saudades, de passar raiva do seu lado, de morrer de ciúmes. Porque de todas, você foi a única que me despertou ciúmes de verdade, e você adorava isso. Sua inconstância, aquilo que eu nunca vou descobrir se é ingenuidade ou maldade, sua indiferença.

Você não quis saber se não nos víamos há quase dois anos, não quis saber como eu estava, o que ando fazendo, apenas se preocupou em dar uma daquelas suas declarações de amor relâmpago, impensadas, inconseqüentes. E o seu amor é bom por causa disso, sempre vem do nada, e dura o tempo que tem que durar, pra depois voltar.

E eu já fui tão filho da puta com você, não conseguia te olhar nos olhos, você ignorava completamente, fingia não ver, ou não via mesmo. Você já me amava de novo, e, na nossa quarta cerveja, nós simplesmente perdemos a paciência pra conversar um com outro, não temos nada em comum mesmo, eu brincava, nervoso, com um guardanapo, você tirou ele da minha mão, e me fez olhar para você.

E, porra, seus olhos.

Por deus, que olhar é esse? Eu me sentia completamente desarmado olhando nos seus olhos, é impossível mentir, é impossível pensar alguma coisa ruim, olhando nos seus olhos, o mundo inteiro, é apenas o seu olhar.

E nós saímos de lá pra sua casa, aproveitar que era o dia de folga da sua empregada.

Só que, aquele dia na rua, não era você, era só alguém com o mesmo perfume, você, eu não sei mais por onde anda. E sei que, esteja onde for, não quer mais saber de mim.

Que seja, nós nunca demos certo mesmo. Eu fiz questão de te afastar de mim. E você foi, você, seus olhos, e meus cigarros.

Sempre que escuto essa música, não canto a ultima frase. Estaria mentindo.

4 comentários:

quaresma. disse...

é quando não se tem nada a ver que a gente vê coisa demais! oi? '-'

beijas, Miné! ;*

ps: até hoje não vi as respostas das minhas perguntas ¬¬

Filipe Garcia disse...

Essa falta de sintonia. Ah. É que a curiosidade sobre o mundo do outro nos desperta algum sentimento genuíno. E ela tava ali, o olhar-convite, pedindo que o rapaz a invadisse inteira, pra depois deixá-la em paz. Ela só queria alguém que ousasse entendê-la. Mas ela mesma sabia que ninguém conseguiria. Porque somos sós, morremos sós. E ele, abandonou porque sabia não dar conta de tantas matizes. Seria um peso. Ele lamenta, mas sabe que fez bem. Afinal, ele é o cara do mal.

Bela escrita, belo texto!

Renata disse...

Filipe disse tudo.
No final a gente morre sozinho, o problema é querer ter companhia até que chegue a hora.

Vou ser sincera Henrique, quando vi teu comentário pensei: "Lá vem energia negativa hahaha..."

Mas se "energia negativa" é a verdade eu aceito. O apreço morreu, não porque eu quisesse, mas porque ele não se sustenta depois de alguns tsunamis de merdas.

Isis Tomas disse...

Duidamente lindo...