9 de janeiro de 2012

Doce Amargor

Ao acordar, no fim da tarde, tudo o que ele conseguiu sentir foi desespero.

A luz do Sol entrava pela janela e deixava a casa, que não tinha nenhuma lâmpada acesa, com um clima melancólico e opressor, fazendo com que qualquer um se sentisse um invasor ali.

Ele não fazia a menor idéia de que horas eram, nem por quanto tinha dormido, sua cabeça doía e sua respiração era pesada.

Na falta de algo mais forte e destrutivo, resolveu preparar um café. Para isso, se aventurou pelo corredor escuro e claustrofóbico, tentando assimilar o que tinha acontecido nas ultimas horas, tentando justificar para si mesmo o que tinha dito, e minimizar o que tinha escutado.

E então, como uma antiga montanha ou um rio que nunca parou de correr, ela estava sentada na área da casa, olhando as primeiras estrelas aparecerem no céu e fumando vagarosamente seu cigarro, ele tentou ignorar o turbilhão de sensações que o afligiram e falar com o tom mais normal do mundo que “vou fazer um café, quer um pouco?”.

Não funcionou, e sua voz saiu rouca, baixa e deprimente. Ela também sussurrou algo que ele só identificou como um “não obrigado” por causa de seu movimento com a cabeça.

De qualquer maneira, ele preparou dois copos. Encheu um para si, e deixou o resto no bule.

Tinha sido um dia difícil. Uma manhã vagarosa, um almoço traiçoeiro e uma tarde impiedosa. O que ele queria era poder, naquele momento, dormir e acordar dez anos depois. Ou antes.

Se tivesse mesmo que acordar.

De qualquer maneira ele não conseguiu deixar de abrir um sorriso quando escutou o barulho do fogão sendo aceso e, instantes depois, alguém assoprando qualquer coisa.

Ele pode voltar a dormir em paz, ela tomou o melhor café de sua vida, sem um mísero grão de açúcar.

5 comentários:

Thamires Figueiredo disse...

Adorei, seus textos são incríveis ((:

Beijos ;*

Ana Andreolli disse...

Sempre foda!!! não tem outro adjetivo. bate forte em mim, tudo que vc escreve.

Ana Caroline disse...

Dormir em paz, hm.

Sempre bom estar aqui *-*

bjjj ;*

quaresma. disse...

hoje em dia eu não tomo mais café, mas tô pra conhecer um aroma melhor - principalmente do café sem açúcar! *-*

beeeijas Miné ;*

ps: desculpa a demora em aparecer, estava curtindo aquela preguiça ._.

Ana disse...

Foi dormir com a cabeça vazia, e o coração ajeitado, sem doçura.
Seus textos, Henrique, seus textos...