sentado no fundo
do velho bar
tomando uma cerveja qualquer
que lentamente
esquentava
e a intercalando
com goles
de Presidente
com limão
estava deus
o rádio lamuriava
os clientes gritavam
e os carros
passavam por cima de tudo
o que não saísse da frente
lá fora
a tarde ia se findando
e o tráfego ficava cada vez maior
la dentro
alguém, a caminho do banheiro
tropeçou
e
sem querer
caiu em cima da mesa
de deus
a cerveja virou
e o pequeno copo
de Presidente com limão
se espatifou no chão
esse alguém então
pediu milhares de desculpas
e prometeu pagar
outra dose
e outra cerveja
mas não lhe prometeu amor
não lhe prometeu devoção
não lhe prometeu sua alma
deus, nem se tocou disso
tentou ver as horas em seu celular
mas a bateria havia acabado
então, ajudou o pobre infeliz a se levantar
e o levou até o balcão
entregou o desgraçado ao dono do bar
e a conta então estava paga
aproveitou
para virar mais uma dose
foi embora, meio tonto
sabendo que voltaria
no dia seguinte
tudo continuou como deveria
alguns, nunca iam embora de lá
deus, voltava todo dia
e esperava que alguém caísse
de joelhos
aos seus pés
então,
arrastava a pobre alma
até o balcão
e a entregava como pagamento ao dono do bar
deus havia desistido
de competir
havia desistido
de tentar colecionar devotos
pois nunca conseguira dar conta
das responsabilidades
pois nunca aprendera as regras
do jogo que ele mesmo
inventara
e o dono do bar
que era o dono do mundo
dono do inferno
e o único dali
dono da propria vida
servia a dose derradeira para deus
e uma para si mesmo
ele merecia
ele, afinal
havia vencido.
os clientes gritavam
e os carros
passavam por cima de tudo
o que não saísse da frente
lá fora
a tarde ia se findando
e o tráfego ficava cada vez maior
la dentro
alguém, a caminho do banheiro
tropeçou
e
sem querer
caiu em cima da mesa
de deus
a cerveja virou
e o pequeno copo
de Presidente com limão
se espatifou no chão
esse alguém então
pediu milhares de desculpas
e prometeu pagar
outra dose
e outra cerveja
mas não lhe prometeu amor
não lhe prometeu devoção
não lhe prometeu sua alma
deus, nem se tocou disso
tentou ver as horas em seu celular
mas a bateria havia acabado
então, ajudou o pobre infeliz a se levantar
e o levou até o balcão
entregou o desgraçado ao dono do bar
e a conta então estava paga
aproveitou
para virar mais uma dose
foi embora, meio tonto
sabendo que voltaria
no dia seguinte
tudo continuou como deveria
alguns, nunca iam embora de lá
deus, voltava todo dia
e esperava que alguém caísse
de joelhos
aos seus pés
então,
arrastava a pobre alma
até o balcão
e a entregava como pagamento ao dono do bar
deus havia desistido
de competir
havia desistido
de tentar colecionar devotos
pois nunca conseguira dar conta
das responsabilidades
pois nunca aprendera as regras
do jogo que ele mesmo
inventara
e o dono do bar
que era o dono do mundo
dono do inferno
e o único dali
dono da propria vida
servia a dose derradeira para deus
e uma para si mesmo
ele merecia
ele, afinal
havia vencido.


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