Viver não é fácil. Você não é e nem será plenamente feliz. As
pessoas são más. O mundo é cruel. A injustiça e a hipocrisia imperam. E, a
menos que você tenha muita sorte, morrerá sozinho.
Mas o fato é que, entender e, naturalmente, sofrer com isso
não são troféus. Você não sofre mais do que ninguém, afinal de contas.
Cicatrizes e marcas, lágrimas, desilusões e angustias não
são, nem de longe, motivo de orgulho. Não há do que se ter orgulho nessa vida. Não
há motivo para nada, no frigir dos ovos. Exaltar a tristeza não te faz melhor
do que ninguém. Qual a finalidade disso? Você não será menos triste,
nem lidará melhor com tudo isso se fizer questão de dizer a si mesmo que não
está bem. Até porque, em vários momentos você está, e bem sabe disso.
Observar não é uma virtude. Muito menos julgar as pessoas em
seu silencio, embasado em suas suposições e se colocar em um patamar superior
por isso. Se quer ouvir uma novidade, sua conclusão está errada. Ficar em seu
canto, com uma suposta cara de desprezo, não vai te fazer menos idiota do que
aqueles que não param de fazer idiotices.
Até porque, você sabe muito bem que despreza ninguém, embora
tente se convencer disso o tempo todo. Talvez por achar charmoso, talvez por
uma coisa estranha que gostam de chamar de “medo de se envolver” talvez porque,
sei lá, mas despreza ninguém. Se, de fato, desprezasse as pessoas, não perderia
tanto tempo tentando decifrá-las. E mais, nas parcas vezes em que você abre a
boca, acaba também, falando uma idiotice. É tudo, sempre, uma grande idiotice. Ou
você espera o que, respostas para o grande enigma universal em uma mesa de bar?
Olhe um pouco para fora de si quando observar alguém, já que
gosta tanto disso. Olhe, realmente, para outro ser humano que, pasme, assim
como você, também tem traumas e duvidas e desesperos e complexos talvez até
maiores que os seus. Você não é um mártir, não é especial, sua espécie de aceitação
melancólica com as agruras da vida e as pessoas não lhe trazem nada de novo ou
diferente, seu ar misterioso diz muito mais sobre você do que imagina.
Desista.
O mundo é um grande picadeiro, somos todos palhaços, não há plateia
além de um deus que não passa de uma criança mimada e confusa. Ele adora quando
a flor em minha lapela esguicha água na sua cara, quase se mija de rir quando
um peido qualquer escapa, tem espasmos de felicidade toda vez em que alguém
leva um tombo.
E, bem, é um papo mais velho do que andar pra frente, mas é
verdade. Nunca vi um palhaço feliz. Uma hora, todos morrem chorando, com a
maquiagem borrada, tentando entender o que aconteceu com eles até aquele
momento.
Mas, até morrerem, foram isso: palhaços.


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