Dobrando a esquina
com um olhar gélido
caminha apressado
em nossa direção
Disfarcemos o medo
pois devemos nos animar
em sua mão ele trás, ansioso
mais alguns dias de tormento
e outras noites em claro
As explosões iluminam seu caminho
os exércitos o seguem triunfantes
os lamentos cantam sua chegada
e os moribundos das esquinas
sedentos por salvação
beijam seus pés
Celebremos!
pois é tempo de festa
ele se aproxima, e podemos ver
se arrastando em sua sombra
as crianças famintas que dali
nunca escaparão
Montados em suas costas
fumando charutos
cheirando cocaína
os nossos messias da democracia
rodeados por putas
bebendo sangue ingenuo
arrotando o pão nosso de cada dia
Já enxerga o fulgor inquietante
dos mil canais de TV
que saem de seus olhos
e hipnotizam nossos trabalhadores moribundos?
Já ouve a alegre melodia
de passos impiedosos
e seu riso de escárnio?
Então pegue sua garrafa e sua taça
sua roupa amarelada
Ele nos grita, ordena, ameaça
o momento de sua chegada
entorpecidos, infantis, apaixonados
lhe daremos nosso beijo mais ardente
e passaremos a noite toda acordados
com a reconfortante
-mas falsa
sensação revigorante
de paz.


4 comentários:
... e esperança!
O mais relevante é pensar que se sentimos tantas coisas ao mesmo tempo nessa época do ano, talvez devamos observar atentamente tais sensações e decifrar o que isso tudo quer nos dizer.
Feliz Ano Novo!
Eu só estou começando a pensar que tenho que arrumar uma maneira de conseguir alguma esperança também no decorrer do ano, porque ando correndo sérios riscos de morrer de desesperança.
É sempre a mesma coisa, quando chega o fim do ano começam a vestir as máscaras da paz, união e felicidade.
Infelizmente.
Postar um comentário