(Porque dessa merda eu já estou cheio)
Era um planeta. Perdido nas estrelas, no tapete de escuridão, na imensidão de luzes.
Um planeta, ao menos era o que diziam, um pequeno corpo celeste jogado na infinidade, com apenas um objetivo em toda a sua mísera existência, um objetivo que ele sequer escolhera, que seguia, instintivamente, sem nem ao menos saber por que fazia aquilo.
Ele apenas girava.
Com um universo inteiro ao seu dispor. Ele podia ser uma nebulosa, um cometa, uma estrela, um dinossauro, presidente dos Estados Unidos, formiga, um bule, um beijo, abraço, tapa, noite em claro, sussurro apaixonado, telefonema não correspondido.
Mas ele era um planeta, e ele girava. Eternamente, só, frio, triste e sem esperança.
Então, houve o dia em que ele cansou de apenas observar estrelas, cansou de girar em torno daquilo que nem ao menos compreendia. Admirou a eternidade ao seu redor. Enfim chegou o dia em que ele experimentaria o dedo impiedoso de deus acabando com sua existência medíocre.
E então, antes que ele terminasse seus dias como apenas mais um acidente cósmico, como nada mais que um planeta que apareceu e sumiu entre bilhões de outros planetas no universo, ele desviou seu olhar das estrelas longínquas e olhou para o caminho a sua frente. Acendeu um cigarro, levantou e andou.
Deixou de ser apenas um planeta, e foi ser seu próprio mundo.


4 comentários:
Perfeito!
tbm quero olhar pra frente e ser meu próprio mundo.
será que tem casa pra alugar nesse mundo? '-'
hehe
beeijas, Miné! :*
Pra fazer a metáfora funcionar bem assim, fazer a gente pensar, repensar, sentir e deduzir, acredite: não são vazias. Vc sabe fazer isso mto bem.
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