20 de abril de 2012

Paradeiro

Eu não estou aqui
Não estou onde almas perdidas
Levam corpos a ruína

Estou do outro lado do mundo
Onde os gritos da mulher errante
Formam a música mais bonita que já ouvi

Estou onde minha letra é legível
Todo mundo me entende e leva a sério
Onde meu coração é vazio
E, na verdade, nem preciso escrever

Não estou aqui
Como diz o poeta em línguas estranhas
Em meio ao caos melódico

Estou junto dos peixes e das algas
Assustados com o homem
Que destruiu seu último império

Estou junto ao imenso eucalipto
Maior entre os seus
Que me conta segredos sobre nós
Sobre ele, e sobre mim
Sobre os insetos nos interiores
Das árvores, da terra
E de nossas almas

Sobre o ar que balança cabelos
Plantas e a água
Edifícios, casebres, e o próprio eucalipto

Que me conta segredos ancestrais

Segredos de quando engatinhávamos
Lutávamos com bestas
E conversavamos com homens do espaço

Segredos de quando eu ainda andava por aqui.

Um comentário:

aline disse...

henrique, você faz qual curso? você disse que tem trabalhado com o ensino fundamental... daí fiquei curiosa.

eu também estou entre esses segredos dos eucaliptos.