12 de fevereiro de 2012

Prólogo Para a Melhor Nota de Rodapé de Todos os Tempos

dedicado a caveira santa de Allen Ginsberg

Posso ouvir a multidão bradando meu nome
Posso sentir os santos me virando o rosto
Engraçado pensar que a multidão que clama
Não passa de santos rebeldes.

Rebeldia, mais pura que santidade
Mais santa que o cárcere sagrado de almas
Mais sagrada que os hinos entoados pelos querubins

Liberdade em capsulas para quem pode comprar
cápsulas da verdade para quem tem coragem
Coragem é saber que vai queimar no inferno
Ser corajoso é ser burro.
Ser burro é ser livre
Ser livre é ser santo
Ser santo de verdade, é ser rebelde.
Ser rebelde é não esconder o pranto diante quem te bateu
Viver de acordo com a brisa que sopra
Soprar a vida no barro dos corpos alheios
Ser barro e dar vida
Ser Caim e fazer o sacrificio maior
Ser injustiçado e sumir no mundo
Ter o resto da vida transformado em mistério
Agradar tanto o criador a ponto de se tornar marginal
Ser marginal e ser seu senhor
Senhor dos marginais, senhor santo dos desgraçados
Louco, condenado e humilhado.

Desmoralizar, magoar e decepcionar.
A sociedade chora por você
Tão bonito, tão inteligente
Tinha um belo futuro pela frente
é ser cabeça fraca, não ter futuro
Lançar-se ao mar de sangue onde nos afogamos
E usar um crânio qualquer de bóia
Amar aquele que te odeia
Cada vez mais, não há porque odiar
Muito menos quem já te odeia
Não precisar provar que é
Que é nada
Basta não ser
Não ser humilde
Humildade não passa de desculpa para arrogancia
Basta não ser
Não ser correto
Não andar errado
Não ser quem odeia
Não ser quem ama demais
Amar demais não passa de desculpa para odiar.

A santidade te chama
Venha comigo
Também te digo que a santidade mata
Os outros permanecem vivos
Demonios, impuros
Eles tem plano de saude
Alimentção saudavel
E exercícios fisicos regulares
Eles tem roupas bonitas
Suas mulheres tem botox
Suas filhas, silicone
Seus filhos, filhas
Eles tem carro do ano
Eles tem bebida importada
Empregada e cinco TVs
Sala de cinema e sorvete de cassis com papaia
Tapete importado e cartão platinum
Uma Bíblia na sala e um lustre de cristal
Uma mandala na entrada, protegendo de todo mal

Eles me viram o rosto
Mas os santos, esses gritam
Me chamam, clamam por mim e minha santidade.

Deixo-me, no meio termo
O teu sim sim
O teu não não
Deixo-me a obra do Diabo.
Toda manhã, acordo com demonios.
Durmo na orgia dos santos.

5 comentários:

Renata disse...

Confesso que bateu um medo agora de todo esse negocio de Caim, dormir com anjo acordar com demônio...

Mas no geral tá muito bom rs

aline disse...

eu gosto dessas antíteses, de sinestesia... achei muitíssimo interessante!

Ana Luiza Cabral disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Luiza Cabral disse...

No entanto que a gente se perde se vê imaginar... É interessante a forma como corderna as palavras ao centro, e se faz poesia.

Ana Flavya disse...

Esse seu texto me deu um pouco de medo, haha.
Mas gostei, e no fim tudo fica no meio termo não é mesmo?