12 de julho de 2011

Mais Ingratidão

Numa dessas noites meio quentes e meio frias, com muitas e poucas estrelas, onde ninguém sabe direito o que quer ou o que sente, uma melodia o envolvia.

Aquelas notas passavam dançando na sua frente, cortando o ar, criando cores enebriantes e obscuras, como a própria música.

Os sons pareciam vir de tempo longíquos, carregando todas as dores que já passaram por esta terra e, sem tentar minimizá-las ou algo do tipo, apenas as entendia.

E ele adorava.

Era naquela canção de dores e medos ancestrais que ele repousava as suas próprias.

Era através daquelas notas lentas e soturnas que ele compreendia cada lágrima que já havia descido pelo seu rosto, cada aperto no seu peito, e todas as dúvidas.

Naquela música, sentia saudade e remorso, saudade de coisas que nem ao menos vivera e de amores antigos, remorso pelo que, um dia, fez com eles.

E a dúvida, a vontade de mudar tudo, jogar tudo pro alto, o desconforto que sentia, e tinha o medo, tinha a pena.

Tristeza.

Mas a música acabou, e com o fim dela, o som dessa noite o invadiu.

Nos míseros segundos que semparam uma música de outra, ele escutou os barulhos de alguma festa. Música alta e risadas ainda mais, copos sendo cheios, pessoas dançando.

Ele não se importou, logo veio a outra música, e ela era ainda mais triste que a anterior.

***

Pois é.

2 comentários:

Gabriela P. disse...

Não sei, mas me lembrou o show do Matita.



Te amo.

Ana Andreolli disse...

eu fico muito assim... esperando o playlist trocar!