Ela entrou no quarto onde ele, distraído, mexia no computador.
Ficou parada, encostada na cômoda. Ele, pousou seu olhar nela e não soube o que falar, afinal, era uma desconhecida, encostada com ar arrogante em sua cômoda.
Ele não sabia se gritava, se puxava conversa, se rezava, saia correndo ou fingia que nada estava acontecendo.
Foi o que escolheu, desceu novamento os olhos para o computador, jurando a si mesmo que tudo não tinha passado de uma alucinação.
Concentrou-se novamente em seja lá o que for que estava fazendo, e já nem pensava mais na estranha aparição, até que, ao levantar novamente os olhos, ela ainda estava lá. O fitando, com os olhos fundos e chorosos.
“Sabe quantas noites mal dormidas eu tive por sua causa?”
Não, ele não sabia. Ele nunca tinha a visto.
“É claro que você não sabe, me trata como uma desconhecida agora. Mas sabe, acho que estou cansada."
Ele também, afinal, não estava bêbado, só podia ser cansaço. Até pensou em resmungar algo, mas achou melhor não. Nem conseguiria.
“Chega uma hora em que a gente desiste, sabe? Pra que continuar nisso? Olha aqui a minha situação, meia hora parada feito uma idiota na sua frente e você aí, fingindo que não me vê, concentrado nessa porra de computador, fazendo sabe o que. Tem tempo pra tudo, menos pra mim.”
Mentira, ele não tinha tempo pra nada, isso ele sabia. Mas, ainda ainda assim, continuou quieto.
“Vai ficar aí quieto?”
“Não quero falar com você! Não sei, tenho medo.”
“É pra ter medo mesmo. É pra ter medo, pelo menos mostra que tem um pouco de vergonha na cara.”
Ele estava se amaldiçoando por ter dado papo aquela alucinação. Aquele fantasma, ou ladra, louca, sequestradora, extraterrestre, vizinha, o que fosse!
“Você não vai fazer nada comigo, né?”
Sentiu-se impotente. Merecedor de qualquer coisa que ela dissesse que ele era. Por mais bizarra que a situação fosse, sabia que, no fundo, ela estava certa.
“Não, não vou.”
Silêncio. Ele pensou em voltar para o computador e esquecer tudo aquilo, mas sabia que agora tudo era muito mais que apenas uma alucinação, era algo sério.
“Quer dizer, pensando bem, vou fazer o que devia ter feito a muito tempo. Te deixar sozinho, não é isso que tanto aprecia, que tanto quer de uns dias pra cá? Ficar sozinho, você e essa merda de computador? Pois então, que fique! Cansei! Adeus!”
E saiu batendo a porta.
Ele olhou para o lado, e viu que não estava sozinho na foto que ficava no porta retratos ao lado do monitor.
Na foto.


8 comentários:
Credo, que coisa mais triste.
Me lembrou o meu tio e a ex-mulher dele...
Te amo.
OMG, da medo esse texto :x
Como afloram os sentimentos
Nos poemas que se faz,
Transmitem em todos num só momento
A paixão que agente traz.
Decantamos a beleza e o amor
Para levar ao mundo; humildade, carinho e paz.
Aliviar no povo seu sofrimento e dor
Dando a ele um novo alvor.
Nesse mundo de desafetos
O homem não pode continuar
Nós, Poetas, podemos colaborar,
E da transformação podemos participar.
Esse dom que recebemos
Não é para ser guardado
E sim, para ser exteriorizado.
A nós ele só foi emprestado.
No plano em que vivemos
Cada um tem sua missão.
Infelizmente! Alguns levam o ódio
Ah! Mas o Poeta! Leva o amor ao coração.
Os seus finais são os melhores, a gente começa ler com a sensação que vai por um caminho e aí: BANG! acaba e a gente fica sem fala.
Porra, Miné.
Saudades de ler você :)
beijos.
As vezes as pessoas si fecham em suas próprias bolhas e quando ela explode eles percebem que ao seu lado nada mais existe.
Liindo, amei, tava com saudades desse cantinho tão bom .
Mais vale a coragem que o desconhecido, intensificador de receios...
Bom saber que alguém lembrou de minhas palavras, hahaha! É bom, bom mesmo, obrigada.
Caracaaa... ótimo seu texto...
Profundo e surpreendente!!
Como disse no seu blog aposentado, vc é meu blogueiro favorito... não desista dos seus blogs, vc escreve mto bem! ;]
Estou ausente, mas vou me esforçar pra aparecer mais por aqui! ;]
É, as pessoas ficam alucinadas, em seu ínicio de estado crítico...
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