Escrevo isso sentado em um ponto de ônibus, acabei de sair de uma prova da faculdade e quero logo chegar em casa. É noite e faz um frio considerável, considerável também é minha dificuldade de escrever no escuro iluminado apenas por escassas luzes ao meu redor cujos efeitos minha própria sombra faz questão de minimizar.
Aliás, tal dificuldade sequer é justificada, não sei ao certo porque escrevo, acredito que é porque venhos transbordando sentimento e, de um jeito ou de outro, tenho que descarregá-lo.
Lembrei-me agora de outra vez que, para extravazar um pouco o sentimento, escrevi em um local inusitado. Embora o sentimento fosse totalmente diferente. Escrevi em um quarto de hospital, fui passar a manhã lá, também após fazer provas, com minha avó, e enquanto ela dormia, escrevi. Naquela ocasião, fim de ano (a partir daqui escrevo dentro do ônibus), de 2008, o sentimento era tristeza, angústia, frustração. Cerca de seis meses depois, quase um ano atrás, ela faleceu, e eu não escrevi sobre, por na época não conseguir, e porque pra mim falar o que quer que fosse soaria como uma espécie de oportunismo.
Naquela vez, falei sobre o tempo, frequentemente falo sobre o tempo, ele passa, corre, como esse ônibus.
Vou descer.
***
Estou em casa, ja jantei e ainda estou com a mesma calça velha, camiseta de pijama e camisa de brechó, roupa que usava no ponto de ônibus quando comecei a escrever isso, na televisão ligada a minha frente uma orquestra toca uma música, ou sinfonia, ou concerto, ou peça, seja o que for é inacabável e belo.
Recomecei este texto justamente por causa da orquestra, a música, que acabou agora, é inspiradora. Concerto nº2 para Piano em Fá Menor op. 21, de Chopin, a apresentadora acabou de dizer que foi isso que escutei. Foi bonito. Como dizia, foi inspirador. Acho que de um jeito ou de outro, vai me ajudar, neste texto sem sentido, a extravazar esse meu sentimento contido.
Eu falava, antes de descer do ônibus, do tempo, que corria como o próprio ônibus. Eu desci e aqui no meu sofá as músicas são intermináveis.
Ouvindo as canções eu me sinto bem, confesso que entendo pouco de música em geral e muito menos de música clássica, mas ainda assim, amo escutá-las (embora nem sempre, quase nunca, vá atrás). Amo a forma como o tempo não passa e como posso viajar enquanto as escuto. Não só viajar, antes de recomeçar a escrever eu entrei em contato com todos os sentimentos que transbordam, e isso é bom, muito bom.
Mas, afinal, quais são esses sentimentos? Pensando um pouco acho que posso reduzi-los a um só e, por sua vez, transformá-lo em um estado de espírito: amor.
Não só sinto amor, eu vivo amor (e é totalmente diferente, quando o amor transforma-se em um estado de espírito tudo pode dar errado porque você está bem, está amparado e, no fundo feliz. Uma felicidade verdadeira, que provêm, justamente, do amor). Um ano e seis meses atrás eu escrevia angustiado sobre o tempo, hoje eu escrevo com amor.
Com o último parágrafo comecei a terceira folha em meu caderno, acho pouco. Falei de amor, e por mais que escrevamos, sempre será puco para falar dele.
Amor, tempo, atualmente tudo o que escrevo é sobre isso. Amor e tempo, esse texto trata disso, o poema passado também, e o próximo texto, que ja esta escrito (foi escrito acho que domingo e seria publicado ainda essa semana, não fosse esse entrar na frente), também será.
Penso porque o tempo sempre habitou tanto os meus pensamentos. Deve ser porque eu finalmente me dei conta de que ele passa.
E por incrível que pareça, passa mais devagar as vezes, quando entro em contato com meus sentimentos, em contato profundo comigo mesmo e com todo o amor, ele parece passar mais devagar, as músicas da televisão parecem intermináveis.
No fundo, me pareceu agora que a vida é feita dessas duas opções: Você pode ficar no ônibus, relembrando a dor a angústia que sentia no passado enquanto o tempo passa veloz, ou deitar em seu sofá e escutar música clássica enquanto sente, a flor da pele, o amor, e o tempo então, passa devagar, torna-se seu aliado para que você desfrute de tudo o que ele tem a te oferecer.
Eu escolho a segunda opção, afinal, tudo o que quero é que o tempo passe o mais devagar possível, que seja eterno, quando estiver com amor.
Com o meu amor. Com ela.
***
Escrito na noite do dia 29 de Junho. As parte em itálico entre parênteses foram adicionadas agora, e o texto que escrevi no hospital é este.


11 comentários:
É, viver com amor, viver de amor, e viver..
O tmepo vai passar, as pessoas podem escolher entre ficar presas no tempo, no ônibus, ou sentir a vida e utiliza-la..
E nada melhor do que amor pra completá-la *-*
Beijoos ;*
p.s: lindo o texto *-*
Por isso que eu digo que você é o meu presente!
Te amo!
nossa muito lindo, quase chorei *-*
o amor transforma a gente.
Odeio textos grandes, mas o seu é viciante, não consegui parar de ler.
abrss ;]
Oooooooown você esta cada dia mais romantico, o amor nos faz bem...
Beijos
Eu prefiro ouvir a música e deixar que o tempo demore a passar.. é bem melhor, ainda mais deixando que o amor venha e fale mais alto!
De fato a escolha de gastar nosso tempo bem ou nao vem de nós não? Belo texto
beijinhos!
aaa *-* love love, this is.
Quando a pessoa fica apaixonada, até musica do Jota Quest faz sentido, e esse texto ficou apaiconanete, estranhamente apaixonante.
Beeijos
Texto magnifico, adorei!
Tens muito talento.
O amor traz consigo inspiração.
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