19 de maio de 2010

Higor

As madrugadas têm sido estranhas.

Nesse momento estou me recompondo de alguma lágrimas derramadas minutos atrás.

Depois de assistir umas séries, entrei no orkut por hábito mesmo, e vi nas atualizações que um amigo meu entrou em uma comunidade dedicada a um jovem que, aparentemente, morreu recentemente.

Não faço idéia de quem era o jovem, do que fazia, como morreu ou qualquer coisa assim, só conheço seu nome e seu rosto na foto da comunidade: Higor.

Viver é um privilégio, você pode aproveitá-lo ou não e, por mais que o Higor não tenha aproveitado, ele teria o direito de viver e consertar.

Eu nem sei se ele aproveitou ou não, se aproveitou, as coisas são ainda mais tristes. Sabe-se lá como ou porque, o que eu sei é que o Higor não merecia morrer. Aliás, ninguém merece, as vezes nós podemos desejar a morte de alguém, podemos falar isso de brincadeira ou até sério, mas ainda assim, ninguém merece a morte. O que qualquer pessoa merece, por pior que foi, é a vida, afinal, só temos uma e sempre há tempo de melhorar.

Não somos nós que devemos determinar quem vive e quem morre. De maneira alguma.

Agora o Higor está morto. Triste e forte falar assim, mas é a realidade. E ele é apenas um que “trombou” comigo, mas e os outros? Quantos jovens não morrem por aí? E mais, quantas pessoas não têm mortes “estúpidas”? Acidentes, brigas, violência.

Existe quem mata e quem morre por um celular. Por cem reais.

Será que existe alguma vida, por mais miserável que seja, que vale isso? Cem reais? O preço de uma calça?

Triste saber que existem pessoas que acham que sim.

É a ordem natural das coisas. Será? Eu também sou jovem, se o Higor morreu, porque eu não? Não é natural jovens morrerem, não é pra ser.

Tudo está desmoronando a nossa volta, tudo, e as vezes as pessoas só conseguem pensar em maquiagem ou motos. Enquanto o Higor, ou qualquer outro jovem morre, alguém está jogando sua vida fora em um grama de cocaína, ou simplesmente não consegue parar de pensar em qualquer bosta que vale uma fortuna e ele enfiou na cabeça que precisa, mesmo sem precisar.

E o Higor? Tudo que ele precisa agora é viver. E só.

Sei lá, essas madrugadas têm sido estranhas mesmo.

***

Outro post escrito a maneira deste, sem revisão nem nada. Não passa de mais um desabafo. E, pensando bem, talvez o conto abaixo, Mais uma Dose, tenha bastante a ver com a história do Higor. Ele tem bastante a ver com todos nós, aliás.

11 de maio de 2010

Mais Uma Dose

Era um bar desses  decadentes que ficam em uma esquina qualquer, onde velhos mendigos alcoólatras vão gastar as suas misérias, onde jovens apaixonados vão afogar sua mágoas, e onde ele ia toda quinta-feira.

Sabia o quão sujo era aquele lugar, mas havia se acostumado com ele, toda quinta, nove horas da noite, ele entrava e sentava em uma mesa no fundo, sempre a mesma.

Tomava dois whiskys. Ou seja lá o que for aquilo que eles chamavam de whisky, e acendia um cigarro. Porque naquele bar, ainda nos dias de hoje, podia-se fumar a vontade. Uma vez que os clientes ou eram fumantes também, ou estavam desgraçados demais para pensar em seus pulmões.

Quando acabava o cigarro, levantava e ia até a Jukebox, colocova Yesterday e voltava para sua mesa.

Então, ele chorava.

Pedia mais um whisky e ia embora. Sempre assim, sem falar com ninguém, entrava bêbado e saía são, toda quinta. Fizesse frio ou calor, se as estrelas deixassem a noite iluminada, ele não se importava, enfiava-se no bar escuro, e lá tratava de apagá-las.

Até que, em uma noite qualquer, ela entrou. Maquiagem borrada, olhos fundos e vermelhos como as maçãs do rosto, que era firme e ainda assim passava paz, por mais atordoados que aqueles olhos estivessem.

Ele, que ainda estava no segundo whisky, limitou-se a erguer os olhos. Ela pediu uma garrafa de vinho e sentou na mesa a sua frente.

Ele terminou o whisky e pegou o maço de cigarros no bolso. Colocou um cigarro entre os lábios e riscou o fósforo, mas, com o fósforo ainda aceso e sem acender o cigarro olhou para frente e viu a moça perdida em seu vinho. Sem entender porque, viu-se preocupado. Se importa? Ele disse, após tirar o cigarro da boca e apagar o fósforo a moça olhou para trás e deu um sorriso amargurado. Ainda assim, ele não acendeu.

Levantou-se e foi até a Jukebox. Yesterday. Voltando para sua mesa olhou para a moça, que suspirou quando a canção começou. Ele sentiu vontade de chorar, mas dessa vez não conseguiu.

Ao acabar o terceiro whisky, levantou-se e foi embora, a moça ainda estava em sua mesa, olhando o vinho na garrafa, como se sua vida dependesse daquilo. E ele voltou para casa pensando nela.

Ainda pensando nela, ele passou a semana inteira, quando chegou a quinta-feira, ela estava lá.

Ele olhou disfarçadamente para ela, no fundo, tinha a esperança de voltar a ver aquele mesmo sorriso amargurado e belo, e viu.

Sentou-se na mesa de sempre, e fez o de sempre. Mas de novo sem as lágrimas e o cigarro.

E assim, aconteceu por várias quintas, ele olhava disfarçado, ela percebia e lançava um sorriso. Ele nada mais fazia, a não ser passar a semana pensando em vê-lo novamente.

Certa quinta, a moça não apareceu.

Ainda assim, ele não fumou, nem chorou

Na próxima quinta, ela também não foi. Será que agora vem as quartas, ou as sextas? Ele pensou, mas não teve coragem de conferir, seu dia era a quinta.

Nesse dia ele fumou quase um maço de cigarros, e chorou como nunca.

Pediu um quarto whisky e, enquanto tomava começou a pensar.

Chorou mais e nunca pisou naquele bar novamente.

25 de abril de 2010

Fuga

Fujamos daqui
Se quiserem nos fazer desacreditar
Fujamos daqui
Vamos para qualquer lugar

Onde a Lua apareça toda noite linda
Onde o Sol brilhe com força ainda
Paremos o mundo e vivamos nossa eternidade

E se o céu não mostrar-se estrelado
É que você me deu as estrelas em uma jarra
Jogo-as de novo no céu
E deito para vê-las do seu lado

Vamos para aquele lugar
Onde o meio-fio é pintado de branco
Onde sentaremos em um banco
Do Central Park e iremos conversar

Sobre o que quisermos
Onde quisermos
O que fizermos só nos diz respeito.

E se ainda assim
Nada der certo enfim
Ainda tenho você 
E você a mim.

14 de abril de 2010

Hemorragia

Estamos em Abril, ou seja, nem um pouco perto do fim do ano.

Ou talvez não.

Lá se foram quatro meses, e eu ainda sinto o vento do dia do Reveillon no rosto, e minha garganta ainda arde quando penso no tanto que gritei naquele dia.

Ao lembrar de toda a esperança que eu sentia no começo do ano, de tudo aquilo que pela primeira vez me fez acreditar que as coisas poderiam dar certo, sinto uma angústia desesperadora.

As coisas vêm dando certo para mim, em todos os campos da minha vida, até aumento (mínimo) da mesada eu consegui, mas algo ainda me incomoda.

Estamos em Abril, e foi ontem que eu pensei que 2010 seria um bom ano.

Mais ainda, parece que foi anteontem que eu estava as dez horas da manhã em um boteco qualquer escondido no centro da cidade, daqueles escuros e cheio de velhos, jogando sinuca e bebendo cerveja com um monte de moleques que assim como eu, tinham passado o maior sufoco minutos atrás com medo de reprovar. Jogávamos com uma alegria imensa e quase morríamos de rir por qualquer coisa, ainda assim, quando eu sentava em um dos bancos que ficavam no balcão do boteco, sentia uma vontade imensa de chorar. Era o último dia de aula, e algumas horas depois eu estava lutando para conseguir colocar a camisa do terno por dentro da calça de uma maneira que não ficasse amassada, afinal, logo seria a minha festa de formatura.

Cinco meses se passaram desde então, eu estou na faculdade e quando passo na frente do antigo colégio ainda sinto uma vontade imensa de chorar.

O tempo tem passado, eu não consigo parar de pensar nisso. 2010 está sendo um ótimo ano, mas tenho medo de que, com a mesma velocidade que as coisas estão se tornando tão boas, elas desmoronem, e eu nem perceba.

Não sei o que sinto ao certo, não consigo nem assimilar a idéia de que comecei a escrever esse post em um dia, e agora ja é outro, meu relógio marca exatamente 00:02, ou seja, enquanto escrevo esse post que fala do tempo, mais um dia ja passou.

Agora já é quarta feira, e eu acabei de ter um dejavu. Me vi escrevendo exatamente isso, agora.

Quarta-feira, o meio da semana que começou segundos atrás. A palheta que eu usei no violão da igreja no domingo ainda está no meu bolso, a roupa ainda está jogada e ja estamos no meio da semana.

Tremo ao pensar que talvez o tempo da minha felicidade, do meu ano bom esteja acabando assim, tão rápido. Temo que as coisas saiam erradas.

Tenho um choro engasgado em minha garganta. Medo.

Não quero perder nada que consegui nesses quatro meses, quero passar o resto da minha vida com essa sensação, com essa alegria, com essas pessoas ao meu lado, todas elas.

O choro torna-se quase real ao pensar que talvez o tempo seja uma contagem regressiva para que tudo isso acabe. Quero evoluir sim, mas como estou hoje.

E eu sei o que não estou, sozinho. Agora me parece que o medo nada mais é do que de voltar a ser solitário. As amizades que eu tinha medo que acabassem continuaram, todas elas, e um outro vazio que eu carregava dentro de mim foi preenchido dia vinte quatro de Janeiro. Não quero que esse tempo que passa com uma velociodade aterradora me traga de volta a solidão.

Não sei como terminar esse texto.

***

Desculpe pelo texto meio sem nexo, mas ele foi escrito conforme as coisas foram aparecendo na minha cabeça, e não foi revisado. As palavras foram jogadas ai na velocidade do meu pensamento, portanto peço perdão por qualquer erro gramátical ou coisa parecida.