As madrugadas têm sido estranhas.
Nesse momento estou me recompondo de alguma lágrimas derramadas minutos atrás.
Depois de assistir umas séries, entrei no orkut por hábito mesmo, e vi nas atualizações que um amigo meu entrou em uma comunidade dedicada a um jovem que, aparentemente, morreu recentemente.
Não faço idéia de quem era o jovem, do que fazia, como morreu ou qualquer coisa assim, só conheço seu nome e seu rosto na foto da comunidade: Higor.
Viver é um privilégio, você pode aproveitá-lo ou não e, por mais que o Higor não tenha aproveitado, ele teria o direito de viver e consertar.
Eu nem sei se ele aproveitou ou não, se aproveitou, as coisas são ainda mais tristes. Sabe-se lá como ou porque, o que eu sei é que o Higor não merecia morrer. Aliás, ninguém merece, as vezes nós podemos desejar a morte de alguém, podemos falar isso de brincadeira ou até sério, mas ainda assim, ninguém merece a morte. O que qualquer pessoa merece, por pior que foi, é a vida, afinal, só temos uma e sempre há tempo de melhorar.
Não somos nós que devemos determinar quem vive e quem morre. De maneira alguma.
Agora o Higor está morto. Triste e forte falar assim, mas é a realidade. E ele é apenas um que “trombou” comigo, mas e os outros? Quantos jovens não morrem por aí? E mais, quantas pessoas não têm mortes “estúpidas”? Acidentes, brigas, violência.
Existe quem mata e quem morre por um celular. Por cem reais.
Será que existe alguma vida, por mais miserável que seja, que vale isso? Cem reais? O preço de uma calça?
Triste saber que existem pessoas que acham que sim.
É a ordem natural das coisas. Será? Eu também sou jovem, se o Higor morreu, porque eu não? Não é natural jovens morrerem, não é pra ser.
Tudo está desmoronando a nossa volta, tudo, e as vezes as pessoas só conseguem pensar em maquiagem ou motos. Enquanto o Higor, ou qualquer outro jovem morre, alguém está jogando sua vida fora em um grama de cocaína, ou simplesmente não consegue parar de pensar em qualquer bosta que vale uma fortuna e ele enfiou na cabeça que precisa, mesmo sem precisar.
E o Higor? Tudo que ele precisa agora é viver. E só.
Sei lá, essas madrugadas têm sido estranhas mesmo.
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Outro post escrito a maneira deste, sem revisão nem nada. Não passa de mais um desabafo. E, pensando bem, talvez o conto abaixo, Mais uma Dose, tenha bastante a ver com a história do Higor. Ele tem bastante a ver com todos nós, aliás.

