Era um bar desses decadentes que ficam em uma esquina qualquer, onde velhos mendigos alcoólatras vão gastar as suas misérias, onde jovens apaixonados vão afogar sua mágoas, e onde ele ia toda quinta-feira.
Sabia o quão sujo era aquele lugar, mas havia se acostumado com ele, toda quinta, nove horas da noite, ele entrava e sentava em uma mesa no fundo, sempre a mesma.
Tomava dois whiskys. Ou seja lá o que for aquilo que eles chamavam de whisky, e acendia um cigarro. Porque naquele bar, ainda nos dias de hoje, podia-se fumar a vontade. Uma vez que os clientes ou eram fumantes também, ou estavam desgraçados demais para pensar em seus pulmões.
Quando acabava o cigarro, levantava e ia até a Jukebox, colocova Yesterday e voltava para sua mesa.
Então, ele chorava.
Pedia mais um whisky e ia embora. Sempre assim, sem falar com ninguém, entrava bêbado e saía são, toda quinta. Fizesse frio ou calor, se as estrelas deixassem a noite iluminada, ele não se importava, enfiava-se no bar escuro, e lá tratava de apagá-las.
Até que, em uma noite qualquer, ela entrou. Maquiagem borrada, olhos fundos e vermelhos como as maçãs do rosto, que era firme e ainda assim passava paz, por mais atordoados que aqueles olhos estivessem.
Ele, que ainda estava no segundo whisky, limitou-se a erguer os olhos. Ela pediu uma garrafa de vinho e sentou na mesa a sua frente.
Ele terminou o whisky e pegou o maço de cigarros no bolso. Colocou um cigarro entre os lábios e riscou o fósforo, mas, com o fósforo ainda aceso e sem acender o cigarro olhou para frente e viu a moça perdida em seu vinho. Sem entender porque, viu-se preocupado. Se importa? Ele disse, após tirar o cigarro da boca e apagar o fósforo a moça olhou para trás e deu um sorriso amargurado. Ainda assim, ele não acendeu.
Levantou-se e foi até a Jukebox. Yesterday. Voltando para sua mesa olhou para a moça, que suspirou quando a canção começou. Ele sentiu vontade de chorar, mas dessa vez não conseguiu.
Ao acabar o terceiro whisky, levantou-se e foi embora, a moça ainda estava em sua mesa, olhando o vinho na garrafa, como se sua vida dependesse daquilo. E ele voltou para casa pensando nela.
Ainda pensando nela, ele passou a semana inteira, quando chegou a quinta-feira, ela estava lá.
Ele olhou disfarçadamente para ela, no fundo, tinha a esperança de voltar a ver aquele mesmo sorriso amargurado e belo, e viu.
Sentou-se na mesa de sempre, e fez o de sempre. Mas de novo sem as lágrimas e o cigarro.
E assim, aconteceu por várias quintas, ele olhava disfarçado, ela percebia e lançava um sorriso. Ele nada mais fazia, a não ser passar a semana pensando em vê-lo novamente.
Certa quinta, a moça não apareceu.
Ainda assim, ele não fumou, nem chorou
Na próxima quinta, ela também não foi. Será que agora vem as quartas, ou as sextas? Ele pensou, mas não teve coragem de conferir, seu dia era a quinta.
Nesse dia ele fumou quase um maço de cigarros, e chorou como nunca.
Pediu um quarto whisky e, enquanto tomava começou a pensar.
Chorou mais e nunca pisou naquele bar novamente.


6 comentários:
Que texto triste, amor!
Apesar de bonito!
Acho que não peguei a essência dele, leve impressão!
Beeeeijos!
;@:
Ele cansou de sofrer naquele bar... hm*
Beijos
É, ele cansou.
A gente cansa.
Mas, ele vai sofrer ainda, pq sofrer é uma porra que não acaba nunca. x___x
lindiiissimo, Miné.
E doído.
muito bonito e muito bom.
esse blog me da a sensação de um pub, uma taberna, sabe..
submundo do sentimento.
desculpa a interretação deliberada..
me parece apenas
Você escreve muuuuuuuuuuito bem,meus parabéns,esse texto foi um dos mais lindos e bem elaborados que eu jaá vi,é de sua autoria ? Porque eu amei,amei mesmo e verdade,estou te seguindo tá ?
awwn que lindo *u*
Gosto tanto desse *-*
Postar um comentário