27 de março de 2013

Elas Rolam Menos do que Costumam Cantar Por Aí

uma pedra
uma pedra repousa
incansável
impassível
morta
ao lado de
um monte
de bosta

uma pedra
não se abala
com a chuva
com o sol
nem com os insetos
que botam seus
ovos
repletos de
maldição
em sua
carcaça
cheia de
lodo

ela não chora
quando alguém a pisa
nem se importa
quando dizem que
ela fica em seus caminhos
em seus caminhos
ela fica
e foda-se

quando o faminto
desmaia ao seu lado
ela vira o rosto
quando as nações
se explodem
ela boceja
quando a velha senhora
não consegue atravessar a rua
a pedra está lá
para que a velha
tropece

você é um
insensível
do
caralho
foi o que ela me disse

uma pedra
uma pedra repousa
incansável
impássivel
morta
ao meu lado

talvez ela sinta pena
talvez ela só esteja
no lugar errado
na hora
errada.

4 comentários:

Larissa Bello disse...

Já dizia Raul que lá estava ele vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar.

Tava sumido mesmo, hein!
Bom te ver de volta.
Bjos.

Mateus Medina disse...

Muito bom!

Aquele abraço!

Dani disse...

Tenho a impressão que as pedras no caminho estão sempre no lugar errado na hora errada. hm*

Fred Caju disse...

Educação pela pedra... Tava lendo esse poema do Cabral dias desses e conheço teu espaço através de uma pedra. Tá valendo!