“Desculpe moço, mas eu tenho namorado” Seria o fim para qualquer galanteador barato, mas não para aquele, que lançou seu sorriso mais cafajeste e disse passando a mão no rosto da moça:
“E se eu disser que eu também?” Olhos e sorriso se iluminaram no rosto dela, surpreendentemente, sem culpa.
Já se conheciam ha algum tempo, e sempre foram, antes de tudo, bons amigos. Ela pedia conselhos, ele os dava, sempre sorrindo, sempre galanteador, às vezes ele se metia em encrenca, ela brigava com ele, ele a abraçava com ar despreocupado, por mais que seu interior gritasse de desespero, dava-lhe um beijo na testa e dizia para ficar tranquila, qualquer coisa eu digo que tenho uma amiga linha dura.
E, de fato, ela não precisava se preocupar, ele sempre dava um jeito, assim como seus conselhos sempre foram, incrivelmente, os melhores.
Eram tão amigos que nasceu aí a brincadeira de se tratarem com namorados, primeiro para confundir um pouco os amigos que sempre desconfiaram dos dois, e segundo porque achavam divertido mesmo.
Assim, a confiança e a amizade foram crescendo, e, sabe como é, eles eram jovens e todo jovem em uma situação dessa só tem uma saída, se apaixonar. Foi o que fizeram, em segredo. Aliás, essa foi a primeira coisa que esconderam um do outro.
Até que chegou o dia da festa, onde ficaram conversando e bebendo em um sofá a noite inteira, e quando ela foi levantar, justamente por causa do vinho, ou da cerveja, ou da vodka, ou daquele outro negócio vermelho, caiu no colo dele, rindo, e continuou rindo quando o beijo acabou.
Se olharam, ficaram sérios subitamente, ela foi retribuir o beijo, e ele, mesmo confuso, não perdeu o charme, virou o rosto, e sussurrou no ouvido dela, desculpe, moça, mas eu tenho namorada, levantou e trouxe um copo de água com bastante açucar, pra ver se esse porre melhora, amor.
Mas é claro que depois desse dia eles nunca foram os mesmos, sobretudo um com o outro, não se abraçavam mais como antes, nem se olhavam nos olhos, muito menos se tratavam como namorados, afinal, agora já não eram mais apenas bons amigos. Ninguém sabia o que eram.
A situação foi piorando, até que ele não aguentou mais, e marcou uma conversa, disse tudo o que tinha para dizer, tudo o que estava entalado em sua garganta.
E, depois de algumas lágrimas, e de algumas risadas, ele foi beijá-la de novo, dessa vez devagar, sóbrio, queria sentir, aproveitar cada segundo. Até ela virar o rosto.
“Desculpe moço, mas eu tenho namorado” Seria o fim para qualquer galanteador barato, mas não para aquele, que lançou seu sorriso mais cafajeste e disse passando a mão no rosto da moça:
“E se eu disser que eu também?” Olhos e sorriso se iluminaram no rosto dela, surpreendentemente, sem culpa.
Então se beijaram, e, até onde se sabe, foram felizes.


9 comentários:
muito bom mesmo. os teus textos são excelentes!
Aaaaah que texto lindo, amoor! *---*
aah que tudo *-*
oask'
Amei. Você escreve muito bem, mas para mim o nome do blog não bateu muito com o post ;*
aah que lindo *-*
Super gostei Henrique..
É um tipo de coisa que acontece,
não é raro esse lance,
o dificil é que acabe tão bem assim (:
adorei cada detalhe. pode continuar lindo assim que eu não ligo. auhuahuahau
beijo!
Ameeei *--*'
Vc escreve muito bem!
Belo texto, parabéns!
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