Não sei se estou tão bem quanto aparento. Quanto deveria.
No fundo, devo ser um grande ingrato. Mas a questão é que eu não sei se as coisas estão tão boas a ponto de achar que eu deveria estar melhor.
Se elas estiverem, sou ingrato. Se não estiverem, não sei quando estarão.
Todo dia, uma sensação estranha, uma melancolia desesperadora, ou desespero melancólico (e não sei o que é pior) toma conta de mim, e eu simplesmente não sei lidar com isso.
E não adianta eu falar que não sei porque, no fundo eu sei. É a velha maldita questão do tempo, esse mesmo que faz a questão ser velha. Quer dizer, esse é só um dos fatores.
Todo dia, todo santo dia que Deus dá, eu penso no futuro. Não quero viver pra mostrar, exibir e provar para os outros que, no fundo, eu posso. Ninguém acredita em mim, e eu não me importo, eu poderia tentar ser o melhor em qualquer coisa, mas sei que não sou o melhor, em nada. Não quero provar o contrário para o mundo, sendo que nem eu acredito que posso.
Aliás, eu não preciso disso. Sabe, eu não preciso de muitas coisas. Me acho um merda às vezes, mas não tenho grandes ambições, eu nem gosto de sair de casa! Por isso penso no futuro. É um raciocínio estranho, mas eu fico preocupado justamente por ser despreocupado, entende? Não quero ser rico, não quero ser bonito, não quero ter duzentas casas, televisão 3D ou carro do ano. Não quero passar o dia esquentando a cabeça pra ganhar dinheiro e, por isso, brigar com quem amo. Não quero esquentar a cabeça com nada.
Daí eu me preocupo comigo mesmo. Daí eu sinto melancolia desesperadora e desespero melancólico.
Daí vejo que já estou esquentando a cabeça, por não querer esquentar a cabeça. Por Deus, não deve ser errado querer apenas viver, não pode. Tudo o que eu quero é só deixar que as coisas aconteçam, sabe? Tem gente que tem um milhão de objetivos na vida, sinceramente, meu único objetivo é não morrer sem ter vivido. E não digo vivido no sentido de aproveitar a vida ao máximo e essas coisas, talvez até seja, mas o meu “aproveitar a vida ao máximo” se resume a ver as pessoas que amo felizes. E só. Isso me deixa feliz, é só isso que quero, nada mais.
Mas porque diabos algo em mim diz que isso é errado? Não pode ser, não é pra ser. Qual a vantagem de desperdiçar toda a minha vida tentando provar algo que nem eu acredito para os outros?
Todas essas indagações, somadas à saudade (que é o outro fator) me deixam assim, achando que sou mal agradecido, ou que as coisas não estão tão boas quanto parecem. Até porque, elas nunca estarão.
Sabe o que é pior, me sinto culpado por ser assim. Sei que vou acabar decepcionando muitas pessoas, dessas mesmo que amo, por ser um merda sem ambição e sem futuro.
E aí para fazer as pessoas que amo felizes, eu vou acabar me traindo e lutando para “vencer”, mesmo sem competir, mas se tudo o que quero é vê-las e fazê-las felizes, vale a pena.
Vou competir, e vou perder. Perder a derrota de ser um vencedor e descobrir que não há pódio, nem troféu, muito menos banho de champagne.


3 comentários:
uaaaaaal isso foi muito profundo!
e pra falar a verdade vc querendo ver as pessoas que ama feliz e assim fazendo-as feliz vc já é um vencedor.
na minha opinião.
gostei muito mesmo to post ;*
Isso se chama altruismo! É raro e precioso. Que bom que você tem! ^^'
Uma parte do seu texto me fez lembrar de como eu pensava no futuro, depois de um tempo percebi que não adianta viver assim, pois temos que viver o agora. Enfim, beem profundo e legal seu post.
Beijos
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