Era o homem mais nobre e rico daquela terra, seu palácio era o maior e mais luxuoso já construído.
Com grandes salões, onde frequentemente organizava grandes e belíssimos bailes, todos os detalhes de sua morada eram perfeitos, do chão ao teto, corredores revestidos de mármore, as mais belas obras de arte, os talheres de ouro e prata, as taças do mais puro cristal, tudo perfeito, tudo com o maior requinte imaginável.
E eis, que um dia, o nobre senhor acorda com um incontrolável desejo de caçar, o que, não sabia ao certo, mas tinha de ir a caça, caso contrario não tinha paz.
Escolheu as melhores armas, que pertenceram aos mais nobres guerreiros de épocas desconhecidas, celou o cavalo mais veloz que possuía e que, porventura, era o mais rápido que já pisou no mundo.
E saiu a galope, com o amanhecer e cavalgou, cavalgou, sem descanso, sem paradas, atravessou vilas, pontes, rios e pequenas matas.
Cavalgou assim até que o dia começou a dar seus últimos suspiros, as primeiras estrelas já tinham aparecido, e o nobre senhor, viu-se preocupado, pois não sabia onde estava, olhava para uma relva desconhecida, um céu desconhecido, até a brisa parecia-lhe estranha, e o desespero começou a tomar conta do coração dele.
Desceu do cavalo, olhou e volta e ao horizonte, não avistou nada que lhe fosse familiar sentou na relva, e fechou os olhos, procurando assim, acordar em seu luxuoso palácio.
Mas nada disso aconteceu, ao abrir os olhos, viu seu cavalo galopando sozinho ao longe, tentou correr atrás dele, mas já estava escuro e ele não conseguia enxergar o caminho, deixou que o cavalo fosse, sentou novamente na relva e amaldiçoou o desejo de caçar.
Assim, proferindo maldiçoes a tudo que lhe passava na cabeça adormeceu, um sono negro, um sono de maldição e nesse tempo não sonhou.
Mas na calada da noite, começou a sentir um calor, uma luz e uma voz desconhecida tomavam conta de seu sono e percebeu que não dormia mais, estava acordado, e perto dele, um camponês com uma tocha na mão o olhava curiosamente.
-Nobre senhor, disse ele, que faz deitado aqui? Uma hora dessas? Já é tarde, e não pode ficar assim, sugiro que vá para casa.
-Não posso, repondeu-lhe, não sei para que lado fica minha casa, e meu cavalo, que era o mais veloz fugiu de mim.
-Pois então, sugiro que venhas comigo até minha casa, que toda deve valer menos que suas botas, mas o espera com um velho fogão de lenha, um sopa, que é melhor do que nada, e um velho colchão de palha, que é melhor que o chão duro. Venha comigo, e amanhã o ajudo a encontrar o caminho de casa.
E assim fez o cavalheiro, chegou na casa do camponês, e detestou a simplicidade.
Mas, ao chegar perto do fogo do fogão a lenha, sentiu um calor reconfortante que nenhuma lareira de seu palácio lhe dava, ao tomar o primeiro gole da sopa de galinha, sentiu um sabor, mil vezes melhor do que qualquer banquete que já tinha saboreado, um simples gole d’água num copo de barro, foi melhor para o cavaleiro, que qualquer dos melhores vinhos dom mundo que já tinha provado.
E ao deitar no velho colchão de palha sentiu tamanho reconforto que nenhum dos seus colchões de pena de ganso lhe proporcionava, adormeceu feliz dessa vez, e sonhou.
Sonhou com lugar onde estava, da maravilhosa sensação que ele sentia, viu-se correndo pela planície vestido de algodão cru, deitado na relva molhada de orvalho e vivendo livre, sem luxo algum, sentia o Sol que lhe era mil vezes melhor que os corredores gélidos do seu palácio, sentiu-se o homem mais feliz do mundo. E nunca mais acordou.


Um comentário:
Agente encontra a felicidade nas coisas mais simples do mundo!
=*
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