Pegavam sempre o mesmo ônibus, ela sabia onde ele subia e ele, onde ela descia, às vezes o destino brincava com eles e os faziam sentar perto um do outro, sempre que seus olhares se cruzavam trocavam um sorriso, como espécie de cumprimento, só não sabiam se era educação ou qualquer outra coisa.
Aquele dia não foi diferente, ela entrou primeiro (sempre entrava) e escolheu um lugar com menos Sol (sempre fugia dele), pouco depois só restou o lugar ao seu lado, foi quando ele entrou.
Fez seu olhar passear por todo o ônibus, no fundo, onde ele gostava, na frente, e no lado que ela não estava, então, virou seu rosto e lá estava, um lugar vago.
Meio tímido, sentou, e disse um olá qualquer.
“Tudo bem?” Ele disse, pra não deixar a situação constrangedora.
Silêncio. Eterno.
Que durou exatamente o tempo dela tirar os fones de ouvido e perguntar, encabulada, o que ele tinha falado.
“Nada não” Ele disse rindo “só perguntei se está tudo bem”.
“Tudo bem sim, porque? To com tanta cara de doente assim? Só dormi mal”
“Não é isso não, na verdade foi pra cumprimentar, não tinha reparado nesses fones de ouvido”
“Ah!” ela ficou vermelha de novo. Ele achou bonito, mas guardou para si “tudo bem sim, e você?”
“Como sempre”
Risos. Silêncio.
Ela virou para a janela, olhou o tempo, ele começou a contar os parafusos do teto do onibus. Ela viu algumas nuvens, estava quase perguntando se ia chover quando ele perguntou o que ela tanto escutava naqueles fones.
Ela disse, ele gostou de algumas coisas, riu de outras, ela o desafiou, duvidando que seu gosto fosse melhor. Ele disse que, de fato, era, mas que dentre todas as coisas que ele gostava, as melhores eram as que ela também ouvia. Ela riu, morreu de vergonha, sabe-se lá porque, uma vez que a brincadeira foi bem besta. Ele achou que tinha dado uma dentro, ganhou confiança, conversaram mais.
E a conversa vagou por lugares banais, seguindo a risca o protocolo de conversa de gente que está se conhecendo, de música pularam pra filmes, de filmes para atores e de atores pra gente bonita. Depois gente feia, o que foi um pouco mais divertido. Depois o silêncio e, finalmente, o tempo.
Se choveria ou não, eles não decidiram. Mas ela lembrou de um fato engraçado, de um vez que tomou chuva no sítio da avó, contou, ele riu, contou algumas pequenas tragédias também e a conversa engrenou de novo.
“Meu ponto é o próximo” ela disse.
“Eu sei”
“Até amanhã?”
“Não posso perder esse ônibus” ele respondeu, ainda com a confiança transbordando e achando que isso, de alguma forma, foi charmoso.
Ela desceu, pela janela, ele reparou como ela era bonita, mesmo com aquele vento de chuva bagunçando todo o seu cabelo, deixando-o enorme.
E passou o resto do dia se perguntando porque não puxou conversa, amaldiçoando sua timidez.


6 comentários:
Bom, ele tem o resto do dia pra criar coragem e no dia seguinte falar com ela. :)
Te amo muito, seu lindo.
que bom que o amanhã existe, não é mesmo?
É... como as meninas falaram ai em cima... o amanhã existe. E tenho certeza que dessa vez ele não vai desperdiçar essa chance.
Concordo plenamente que o amanhã existe, mas a certeza que o seu amanhã irá existir ninguém tem , então porque esperar o amanhã duvidoso si o hoje concreto está bem ao seu lado?
Um dia ele cria coragem ^^'
beijos
HAHAHA Adorei o ''Até amanhã''. Se fosse uma historia minha ele iria atrás dela e perderia todo o senso de realidade e tals. Mas com voce a coisa toda ficou romantica, linda e absolutamente real. Porque não é que é assim? rs
>,<
Você tá cada vez melhor nesse lance de contos, Miné.
MESMO!
beijão
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