19 de janeiro de 2011

Por Aí Dentro de Nós

Era aquele que vagava pelas estradas, sem destino, sem rumo, sem nada.

Pegava carona, até onde desse, quando via que estava se desviando daquele caminho, aquele mesmo que ele nem sabia qual era, agradecia e tratava de saltar do carro. As vezes sem nem um obrigado decente, só ia embora, para continuar, sozinho.

E não foram poucas as caronas que ele pegou, muito menos as cidades que dormiu e tratou de fugir, como em um filme de terror, onde aquele lugar que parece receptivo e aconchegante se revela um reduto de psicopatas, ele fugia. A diferença é que raramente tentavam matá-lo, simplesmente o esqueciam.

Com uma vida dessas, com o tempo as pessoas pararam de lhe dar valor, todo esse tempo o deixou descabelado, com as roupas sempre amassadas e o ar cansado, mas ele não desistia, não era de sua natureza desistir.

Dizem que um dia ele parou em uma cidade, e por lá ficou, dizem que ali amou, construiu família e morreu. Dizem que o final de seu trajeto era ali. Mas quem disse isso, definitivamente não o conhece bem, ele nunca para em um lugar, e, ao menos espero, nunca morrerá. Até onde sei, seu objetivo é não ter objetivo justamente para cruzar o máximo possível de caminhos. Afinal, todo mundo que o conhece, por algum motivo, não consegue esquecê-lo.

Eu, dia desses o vi na estrada, parado, tomando chuva e respirando fumaça, até que comecei a andar, e ele veio comigo.

9 comentários:

Cecília Ferreira disse...

muitas vezes é preciso ser como ele e andar em rumo e fazer da vida algo sem objetivo,deixar a correnteza levar pra ver se um dia para em um lugar bom e que seja somente nosso.
Parabéns pelo o primeiro ano do Daquilo que não se vê.
Beijo

Zélia Gadelha disse...

Conhecendo hoje o seu blog me encantei e já fiquei! Que bom que recebi esse presente... Um ano de blog parabéns!!!
Bjusss

Gabriela P. disse...

Sabe que me veio duas imagens na cabeça? Lembra daquele episódio que o Sam conhece a Meg? Então... Não sei porquê. A outra é a do trovador de Stars Hollow.


te amo

Erica Vittorazzi disse...

Eu ao contrário, prefiro ter raízes. Mas, conheço pessoas assim.


Beijos

Ps: Nem sei se posso dizer, mas acho lindo demais o amor de vocês dois, Henrique e Gabriela. Vocês sempre me roubam um sorriso.

Maria Midlej disse...

Ai o meu blog favorito do Miné fez um ano e eu lá, estudando pra vestibular tsc, que lamentável. Li seu post anterior e achei tão fofinho nhown uahsuahsaushauhs

Quanto ao novo conto, massa! ahaha Conheço um cara que se encaixa perfeitamente nisso

''Com uma vida dessas, com o tempo as pessoas pararam de lhe dar valor, todo esse tempo o deixou descabelado, com as roupas sempre amassadas e o ar cansado, mas ele não desistia, não era de sua natureza desistir.''

Jéssica Trabuco disse...

Me encantei com esse texto.
Um dia me disseram que anjos são como esse moço que vc descreveu nesse post.
Andam de um lado para o outro, entrando em vários caminhos, várias vidas, se tornando inesquecível. Trazendo alguma lição e deixando um pouco de sua alma e de seu coração.
Muito bom!

Natália Salles disse...

Primeira de muitas visitas ao seu blog, adorei :)

Carinhosamente, Nat.

Anônimo disse...

Esse post me fez lembrar umas pessoas que vivem assim, não criam raízes passam pela vida de todos.
Beijos

Ana Caroline disse...

Abri o blog e senti vontade de passar aqui, precisa destas palavras, obrigada.