Era madrugada, fria e escura, como essas de filme mesmo, as janelas dos quartos estavam fechadas, os cobertores puxados, e os corpos encolhidos.
E eles conversavam.
Cada um em seu celular, falavam devagar, como se sussurrassem um no ouvido do outro, como se, como tanto desejavam em seus íntimos, dividissem, de fato, aquela cama, naquela madrugada tão inesperadamente gelada.
Mas não falavam sobre dividir a cama, ou qualquer outra coisa, muito pelo contrário, falavam de separação, ele queria que ela lhe entregasse aquele CD, ela disse que ele teria que ir lá buscar, ele não riu, ela quase chorou.
Conversaram mais, cúmplices, como sempre foram, apesar da distância de três meses, conversavam, e não era apenas nas madrugadas frias, era em quase todas, solitárias.
O que ela não sabia é que ele pararia de ligar para fazer companhia na madrugada quando o contrato da operadora expirasse, e o número dela não fosse mais um dos “favoritos”, daqueles que ele podia ligar de graça.
O que ele não não sabia é que, com contrato e números novos no telefone, jamais arranjaria companhia melhor para dividir a cama, da maneira que fosse.


10 comentários:
Que triiiste! :(
Triste mesmo ;/
a separação deixa um amargo na gente, mas se fosse como seu texto, doeria até menos... mas fazer oq se tem pessoas que jamais te ligariam, msm tendo largado vc no dia do seu aniversário.
O que antes fazia parte dos nossos favoritos quando um simples toque da vida pode passar a ser nada.
hei, quando der da uma passadinho no meu novo blog "Querido Diário" ;*
http://queeeridodiario.blogspot.com/
Oi, achei teu blog pelas minhas andanças e gostei mto do que li aqui. Estou seguindo. Beijos.
Primeiro que você tem amadurecido esse seu lado sentimental, ein? É o amor fazendo efeito aí dentro, certeza hahahaha
Segundo que eu fiquei: putaquepariu!
Quando eu tinha 15 anos e meu primeiro namoradinho lindo, teve uma promoção da Oi que era isso ''1 ano ligando grátis p um numero'' eu escolhi o dele, uai, pq né? rsrsrs.... terminamos em 6 meses e nos falamos no telefone por 4 meses. acabou a promoção, a amizade, tudo. rsrsrs
Foi mais ou menos isso daí.
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Me trouxe lembranças, adoro textos assim.
e ameeeeeeeeeeeeeei o final.
Separação dói, por isso se prolonga com telefonemas.
beijos
Okay, eu confesso que isso foi muito bom. Já vivi isso, então sei como é....ahhh
Abraços,
Charlie B.
Celular é algo tão presente em tudo hoje, né? E eu fico bastante surpreso em ver como todas essas camapanhas publicitárias e planos de marketing são capazes de influenciar e condicionar a vida das pessoas...
Lembrei agora daquelas promoções de mensagens. 500 por cinco reais, ou qualquer coisa assim, e em como o simples fato de tê-las me fazia dizer coisas que em outra realidade eu jamais teria dito.
Mas vejo como grande vantagem disso tudo o nunca estar sozinho. Sei lá, a vida é bem melhor acompanhado.
Abraço, cara.
Belo texto!
Cachorro, filho da mãe, me fez chorar.
Feliz Natal. --'
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